A rotina intensa da segurança pública do Rio de Janeiro voltou a ser atravessada pela dor neste fim de semana. Em uma cidade acostumada ao barulho de helicópteros sobrevoando comunidades e ao permanente confronto entre forças policiais e criminosos armados, a morte do piloto Felipe Monteiro Marques encerrou uma luta que mobilizou familiares, colegas de farda e profissionais de saúde durante mais de um ano. O policial civil, de 46 anos, havia sido baleado na testa durante uma operação aérea na zona oeste da capital fluminense.
Felipe atuava como copiloto do helicóptero da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE/SAER) da Polícia Civil quando a aeronave foi alvejada por criminosos durante uma operação na favela Vila Aliança, em março de 2025. O tiro de fuzil atingiu o lado direito da testa do agente, provocando graves lesões cranianas e uma longa sequência de cirurgias, internações e tratamentos intensivos.
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FAMÍLIA CONFIRMOU A MORTE NAS REDES SOCIAIS
A morte foi confirmada por meio de uma publicação nas redes sociais administradas pela esposa do policial, Keidna Marques. Na mensagem, familiares destacaram a coragem e a resistência demonstradas por Felipe durante o período de internação.
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"Felipe foi um guerreiro do início ao fim, enfrentando cada desafio com coragem, determinação e fé", dizia trecho da nota de pesar divulgada pela família. A causa da morte não foi oficialmente informada. Até o momento, também não haviam sido divulgadas informações sobre velório e sepultamento.
GOVERNO DO RIO LAMENTA MORTE DE POLICIAL
Em nota oficial, o Governo do Estado do Rio de Janeiro lamentou a morte do piloto da CORE e ressaltou o comprometimento do agente com a segurança pública fluminense. Segundo a manifestação do governo, Felipe travou uma "longa, difícil e corajosa batalha pela vida". A nota também destacou a bravura do policial durante o exercício da função.
"Neste momento de dor, o Governo do Estado presta solidariedade aos familiares, amigos e companheiros da Polícia Civil, e reconhece a bravura, o compromisso e a entrega do comandante Felipe Marques no exercício da missão de proteger a população fluminense", informou o comunicado.
QUADRO CLÍNICO TEVE PIORA NAS ÚLTIMAS SEMANAS
Nos últimos dias, familiares já haviam relatado agravamento no estado de saúde do policial. Na sexta-feira (15), a esposa informou que Felipe permanecia internado em estado grave após uma cirurgia para retirada de um hematoma na cabeça.
Segundo Keidna Marques, houve piora no quadro infeccioso, exigindo medicações mais fortes e ampliação do tratamento com antibióticos. "É um momento muito difícil de lidar. Seguimos em oração", escreveu.
Ainda no sábado, familiares chegaram a compartilhar mensagens de esperança após profissionais de saúde relatarem pequenas reações positivas do paciente dentro do quadro considerado gravíssimo.
SEQUÊNCIA DE CIRURGIAS MARCOU TRATAMENTO
Desde o atentado sofrido em março de 2025, Felipe passou por diversas intervenções cirúrgicas. Após o disparo, médicos constataram que o policial havia perdido cerca de 40% do crânio.
No primeiro fim de semana deste mês, ele precisou passar por nova cirurgia para retirada de um hematoma intracraniano. Depois do procedimento, novos pontos de sangramento foram identificados, tornando necessária a colocação de um dreno.
Em abril deste ano, Felipe também havia sido submetido a uma cranioplastia para recolocação de uma prótese craniana. Meses antes, em dezembro de 2025, ele chegou a receber alta hospitalar após quase nove meses de internação e foi encaminhado para um centro de reabilitação.
No entanto, em janeiro deste ano, uma infecção obrigou os médicos a retirarem novamente a prótese.
O ATAQUE AO HELICÓPTERO DA POLÍCIA CIVIL
O caso aconteceu durante uma operação policial na favela Vila Aliança, na zona oeste do Rio. O helicóptero da Polícia Civil sobrevoava a comunidade quando foi atingido por disparos feitos por criminosos em solo.
Felipe Monteiro Marques foi baleado na cabeça ainda durante o voo e levado em estado gravíssimo ao hospital. Posteriormente, ele foi transferido para uma unidade particular na zona sul da cidade.
Em entrevista concedida no ano passado, a esposa do policial revelou que médicos consideravam a sobrevivência inicial do agente um caso raro. De acordo com os especialistas, fatores como a trajetória do projétil e o impacto anterior na estrutura da aeronave impediram que o disparo fosse fatal imediatamente.
