A menos de um mês do início da Copa do Mundo 2026, o clima de expectativa em torno da Seleção Brasileira começa a ultrapassar os limites dos gramados e alcançar ambientes corporativos, linhas de produção e escalas de trabalho espalhadas pelo país. Se em edições anteriores o tradicional debate girava em torno da liberação de funcionários durante partidas disputadas à tarde, o Mundial de 2026 promete inaugurar um novo cenário: o impacto dos jogos em pleno expediente noturno.
Com partidas previstas para horários como 19h e 21h30, empresas e trabalhadores já começam a discutir como ficará a rotina durante os confrontos da seleção. O tema deve atingir especialmente setores que operam em turnos ou mantêm atividades contínuas, como indústrias, hospitais, transporte, comércio e serviços essenciais.
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LEGISLAÇÃO NÃO OBRIGA LIBERAÇÃO
Apesar da forte mobilização popular que costuma acompanhar os jogos da seleção brasileira em Copas do Mundo, a legislação trabalhista brasileira não determina que empresas liberem funcionários durante as partidas.
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Segundo Daniel Ribeiro, sócio responsável pela área trabalhista do VLF Advogados, a decisão depende exclusivamente de cada empregador. "A liberação só acontece se houver decisão da própria empresa, política interna, acordo coletivo ou mera liberalidade do empregador", afirma.
Na prática, isso significa que cada companhia pode estabelecer sua própria política para o período da competição. Algumas empresas podem optar pela dispensa sem compensação de horas; outras podem exigir reposição posterior; enquanto parte do mercado tende a manter o expediente normalmente, sobretudo em áreas consideradas essenciais.
TRANSMISSÃO DURANTE O EXPEDIENTE PODE CONTAR COMO HORA TRABALHADA
O advogado destaca ainda que, quando a própria empresa permite ou organiza a transmissão dos jogos durante o expediente, o período tende a ser contabilizado como jornada de trabalho regular. "Nesse caso, o funcionário continua recebendo normalmente o seu salário, sem possibilidade de desconto", explica Ribeiro.
A adoção de banco de horas também surge como alternativa para flexibilizar a rotina durante os jogos. Trabalhadores com saldo positivo podem negociar saídas antecipadas ou ajustes temporários na jornada, desde que haja concordância entre as partes e respeito às regras internas já estabelecidas.
SETORES ESSENCIAIS DEVEM TER MENOS FLEXIBILIZAÇÃO
A tendência, porém, é de que a flexibilização varie bastante conforme o segmento econômico. Em escritórios e setores administrativos, mudanças pontuais no horário costumam ser mais simples de implementar.
Já em áreas essenciais ou de operação contínua, a margem para dispensas deve ser menor. Hospitais, segurança, transporte público, varejo, fábricas e linhas de produção devem enfrentar maior dificuldade para interromper atividades durante os jogos da seleção. "Via de regra, quanto mais essencial e contínua a atividade, menor a chance de liberação", ressalta Ribeiro.
Com a proximidade da Copa de 2026, a expectativa é que empresas, sindicatos e trabalhadores intensifiquem as negociações para tentar equilibrar produtividade, funcionamento dos serviços e a tradicional paixão nacional pelo futebol.
