Todo ano, milhões de brasileiros entregam a declaração do Imposto de Renda e torcem para não ter erros. Em 2026, porém, mais de um milhão de contribuintes já enfrentam a realidade da malha fina.

A Receita Federal divulgou, nesta semana, que 5,6% das declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física 2026 foram retidas em malha fiscal. Do total de 25.342.349 documentos enviados até a manhã da última segunda-feira (18), exatamente 1.410.027 passarão por verificação detalhada.

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Isso aconteceu porque os dados dessas declarações apresentam divergências em relação às informações fornecidas por instituições financeiras e planos de saúde.

O que significa estar na "Malha fina"?

A retenção não indica, necessariamente, que o contribuinte cometeu fraude ou erro grave. No entanto, ela exige que o declarante comprove as informações prestadas ao Fisco.

Além disso, enquanto a declaração permanecer em análise, a restituição fica bloqueada. Por isso, identificar e corrigir o problema o quanto antes é fundamental.

Prazo e como verificar a situação

A entrega do IRPF 2026 pode ser feita até as 23h59 do dia 29 de maio. Antes mesmo desse prazo, contudo, qualquer contribuinte pode verificar se está na malha fina e corrigir eventuais inconsistências.

A consulta está disponível 24 horas após o envio da declaração, por meio do portal e-CAC, tanto no site quanto no aplicativo da Receita Federal. Já a correção se dá com o envio de uma declaração retificadora.

Por que o percentual caiu?

No dia 29 de março, 10,78% das declarações preenchidas estavam retidas. Esse índice recuou para 5,6%, e isso aconteceu porque muitos contribuintes e fontes pagadoras corrigiram inconsistências antes do encerramento do prazo.

Portanto, a queda reflete o comportamento proativo de parte dos declarantes.

Principais motivos de retenção?

O sistema da Receita cruza dados com bancos, empresas, planos de saúde e outras fontes. Por isso, qualquer informação inconsistente pode gerar retenção. Os erros mais comuns são:

  • Omissão de rendimentos de aluguéis, trabalhos eventuais e aplicações financeiras;
  • Dependentes já declarados por outro contribuinte ou com rendimentos não informados;
  • Despesas médicas não confirmadas pelas clínicas, hospitais ou profissionais;
  • Incompatibilidade entre a renda declarada e a evolução do patrimônio;
  • Erros no cálculo de rendimentos acumulados, como ganhos em ações trabalhistas.

Despesas médicas: atenção ao que pode ser deduzido

Um dos pontos mais sensíveis é a dedução de despesas médicas.

Muitos contribuintes incluem gastos que parecem ligados à saúde, mas que a legislação não aceita como dedutíveis. Os casos mais frequentes são:

  • Massagistas;
  • Nutricionistas;
  • Enfermeiros particulares;
  • Compra de óculos;
  • Medicamentos;
  • Vacinas.

Academias de ginástica, por exemplo, também não são aceitas. Além disso, só é possível abater despesas de terceiros se eles estiverem declarados como dependentes na mesma declaração.

Rendimentos de dependentes precisam constar na declaração

Incluir um dependente na declaração gera uma obrigação específica: todos os bens, direitos, dívidas e rendimentos dessa pessoa precisam ser informados.

Isso significa que filhos com renda de estágio ou pais aposentados não podem ter seus ganhos omitidos. Esse é um erro recorrente e que leva muitos contribuintes direto à malha fina.

Aluguel é renda e precisa ser declarado

Muitos proprietários esquecem que o aluguel recebido é renda tributável. Quando o pagamento vem de uma empresa ou administradora, o valor deve constar como Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica.

Já quando o inquilino é pessoa física, a informação entra na ficha de Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior. Ademais, locadores com recebimentos mensais acima de R$ 2.259,20 têm a obrigação de preencher o Carnê-Leão mensalmente.

Previdência privada: PGBL e VGBL têm regras diferentes

A confusão entre os dois tipos de previdência privada também gera problemas. O PGBL permite reduzir a base de cálculo do imposto em até 12% da renda bruta tributável.

O VGBL, por sua vez, não oferece esse benefício. Portanto, declarar o tipo errado pode distorcer o imposto calculado e levar a declaração à análise da Receita.

Como regularizar?

Os passos para sair da malha fina são diretos:

  • Acesse o e-CAC pelo site ou aplicativo da Receita Federal;
  • Consulte a situação da declaração na área "Meu Imposto de Renda";
  • Identifique a pendência apontada pelo sistema;
  • Envie uma declaração retificadora com as correções necessárias.

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O envio da retificadora antes do prazo de 29 de maio evita a abertura de processo formal de fiscalização e reduz o risco de multas.

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