Os procedimentos estéticos têm sido cada vez mais procurados por pessoas que desejam mudar a aparência do corpo e do rosto. No entanto, especialistas alertam que algumas intervenções podem trazer riscos à saúde, principalmente quando envolvem substâncias como o PMMA, usado em procedimentos de preenchimento corporal.
A maquiadora Roseli Fernandes, de 48 anos, morreu após passar mal horas depois de realizar um procedimento estético com aplicação de PMMA (polimetilmetacrilato) nos glúteos e nas coxas, em São Paulo. Segundo relato da filha à Polícia Civil, a vítima chegou a afirmar que “achava que ia morrer” antes de perder a consciência.
Roseli, que era de Mato Grosso do Sul, viajou para a capital paulista acompanhada da filha para realizar a remodelação corporal em uma clínica no bairro do Brooklin, na zona sul da cidade. O procedimento foi feito pela médica Tábita Nunes Marcolino, de 36 anos.
De acordo com o depoimento da filha, a maquiadora começou a se sentir mal na manhã seguinte da aplicação. Ela apresentava falta de ar, chiado no peito e dizia acreditar que não sobreviveria. Após contato com a médica, mãe e filha foram orientadas a retornar ao consultório.
Repetia que "ia morrer"
Durante o trajeto de carro por aplicativo até a clínica, Roseli piorou. A motorista relatou que a passageira estava ofegante, suando e repetia que “ia morrer”. Ainda dentro do veículo, ela perdeu a consciência.
Ao chegar ao edifício comercial onde funciona a clínica, a filha colocou Roseli em uma cadeira de rodas e entrou no prédio em busca de ajuda. A médica desceu até a recepção e iniciou manobras de reanimação até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Apesar das tentativas de socorro, a maquiadora morreu no local.
Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado como morte suspeita, morte acidental e homicídio no 27º Distrito Policial de São Paulo. As circunstâncias da morte seguem sob investigação.
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Em depoimento, a médica afirmou ter utilizado cerca de 100 seringas de PMMA durante o procedimento. Ela também declarou atuar com procedimentos estéticos não cirúrgicos há quase seis anos e disse possuir pós-graduação em dermatologia, embora não tenha residência médica nem especialidade registrada no Conselho Federal de Medicina (CFM).
Ainda conforme a investigação, Roseli realizou diversos exames antes da intervenção estética. A filha contou que a mãe conheceu a profissional pelas redes sociais e que já havia passado por um lifting facial dias antes.
O valor total pago pelos procedimentos foi de R$ 54,4 mil, incluindo aplicações de PMMA nos glúteos, na parte posterior das coxas e no quadríceps.
O que diz a defesa
A defesa da médica afirmou que o procedimento ocorreu “sem qualquer intercorrência” e que a paciente deixou a clínica consciente, conversando e alimentada. Os advogados também disseram que ainda não existe laudo que comprove relação entre o procedimento estético e a morte.
“A investigação está em estágio inicial e não há nenhum laudo que comprove relação entre o procedimento estético e o óbito”, informou a defesa em nota.
