Uma dívida pode começar pequena e crescer até se tornar impagável. No Distrito Federal, um consumidor descobriu isso da forma mais cara possível e buscou mais transparência.
Um morador do Distrito Federal acumulou uma dívida de R$ 788 mil no Nubank, a partir de um débito inicial de R$ 12,3 mil. O valor original era referente ao cartão de crédito do banco em janeiro de 2022. Nos quatro anos seguintes, os juros multiplicaram esse montante cerca de 65 vezes.
Leia também:
- Fintechs investigadas movimentaram R$ 26 bilhões em operações
- Advogado com nanismo recorre após nova reprovação para delegado
O caso chegou ao conhecimento da Secretaria do Consumidor do Distrito Federal e se tornou referência em discussões sobre práticas de cobrança no sistema financeiro.
Além disso, o episódio reacendeu o debate sobre a transparência das instituições bancárias com seus clientes.
Secretaria notifica o Nubank
A Secretaria do Consumidor do DF notificou o Nubank na última segunda-feira, dia 25 de maio, com pedido formal de esclarecimentos.
A pasta questionou as taxas praticadas no crédito rotativo, a fórmula de cálculo dos juros e as condições de parcelamento da fatura.
Além disso, a secretaria solicitou informações sobre encargos financeiros cobrados dos clientes inadimplentes. O secretário Samuel Konig foi direto ao avaliar a situação:
- Crédito não pode funcionar como armadilha financeira;
- Dívidas não podem comprometer a dignidade do consumidor;
- Contratos incompreensíveis representam risco ao endividado.
Conig também alertou que a notificação é apenas o primeiro passo. Por isso, se o Nubank não ajustar suas práticas, a secretaria pode aplicar multas à instituição.
Reclamações crescem no DF
Os dados da Secretaria do Consumidor revelam aumento nas queixas contra o Nubank. Só em 2026, até o momento, a pasta registrou 77 reclamações contra a empresa.
Em comparação, o ano inteiro de 2025 terminou com 211 registros. Esse cenário preocupa as autoridades, pois o volume de queixas indica um padrão recorrente de insatisfação.
Além disso, casos como o do morador endividado em R$ 788 mil evidenciam os riscos do crédito rotativo sem controle.
O que diz o Nubank?
O banco respondeu à notificação e informou que avalia continuamente alternativas para clientes com pagamentos em atraso. Entre as opções citadas pela empresa estão:
- Descontos para quitação da dívida;
- Parcelamentos adaptados ao perfil de cada cliente.
O Nubank também afirmou que mantém programas de educação financeira para seus usuários.
Quer receber mais notícias do Brasil e do mundo? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!
No entanto, os programas incluem conteúdos digitais e funcionalidades educativas nos próprios produtos, com foco em prevenção ao endividamento.
Veja a nota completa do Nubank:
O Nubank está constantemente avaliando e buscando oferecer aos clientes com créditos em atraso alternativas para que possam regularizar sua situação financeira. As condições de renegociação, que podem incluir descontos e parcelamentos, variam de acordo com o perfil de cada cliente e podem ser consultadas diretamente no aplicativo ou por meio de nossos canais de atendimento e parceiros.
O Nubank reforça ainda que mantém iniciativas contínuas de educação financeira voltadas aos clientes, que vão desde conteúdos em canais próprios até funcionalidades educativas incorporadas aos produtos, sempre com foco em prevenção ao endividamento, inclusão financeira e segurança digital.
