O que começou como uma história de superação e acolhimento terminou se transformando em um dos casos mais intrigantes dos últimos meses em Santa Catarina. Após emocionar uma comunidade inteira com um relato marcado por supostos abusos e violência na infância, a mulher que se apresentava como uma adolescente de 12 anos agora enfrenta a Justiça e novas acusações.

A prisão preventiva de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, foi decretada após audiência de custódia realizada na quarta-feira (3). Além da manutenção da prisão, a Justiça determinou a realização de exames de sanidade mental para auxiliar nas investigações e esclarecer as circunstâncias do caso.

Segundo a Polícia Civil, Amanda é investigada pelos crimes de falsa identidade e estelionato. As apurações apontam que ela teria vivido por cerca de 14 meses como filha adotiva de um casal em Joinville, no Norte de Santa Catarina, utilizando o nome de "Gabriele" e se apresentando como uma adolescente.

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De acordo com a investigação, a história começou quando ela conseguiu abrigo em uma igreja evangélica no distrito de Pirabeiraba. Na ocasião, contou que havia fugido do Pará após sofrer maus-tratos, violência doméstica e abusos durante a infância. Sensibilizada, a comunidade acolheu a mulher, que permaneceu hospedada no local antes de ser recebida por uma família.

Ainda segundo a polícia, Amanda relatava ter sido submetida ao uso forçado de hormônios quando criança, enquanto vivia em um ambiente de exploração. A narrativa ajudava a justificar sua aparência física, considerada incompatível com a idade que dizia ter.

Durante mais de um ano, a convivência com a família foi marcada por laços afetivos cada vez mais fortes. Os responsáveis chegaram a organizar festas, custear tratamentos de saúde e demonstrar interesse em oficializar a adoção. No entanto, conforme a investigação avançou, algumas inconsistências começaram a despertar desconfiança.

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O caso veio à tona após um familiar levantar suspeitas sobre a verdadeira identidade da suposta adolescente. A partir daí, a Polícia Civil iniciou uma apuração que revelou a idade real da mulher e seu histórico em outros estados.

As autoridades afirmam que Amanda possui antecedentes relacionados a situações semelhantes em diferentes regiões do país. Há registros de ocorrências em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul.

Em nota, o advogado dativo Rafael Luiz Siewert informou que a defesa aguarda o resultado da perícia técnica e dos exames determinados pela Justiça. Segundo ele, os laudos poderão contribuir para esclarecer os fatos e orientar os próximos passos do processo.

Enquanto as investigações seguem em andamento, o caso continua chamando atenção pela complexidade e pelos desdobramentos que misturam identidade, confiança e uma história que mobilizou uma comunidade inteira antes de ser colocada sob suspeita.

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