Milhões de trabalhadores brasileiros com saldo no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) até 31 de dezembro de 2025 podem receber, agora até agosto de 2026, uma parcela do lucro obtido pelo fundo do último ano.

A distribuição, porém, ainda depende de aprovação do Conselho Curador do FGTS, cuja reunião está prevista para 28 de julho. A estimativa é que o repasse supere R$ 14 bilhões, com base em projeções do Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT) que apontam resultado próximo de R$ 15 bilhões para 2025.

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O valor a ser creditado nas contas segue critério proporcional ao saldo existente em 31 de dezembro de 2025. Isso significa que quem tinha mais dinheiro no fundo receberá uma parcela maior.

Mario Avelino, presidente do Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT), calcula que, se o governo mantiver o percentual de 95% adotado no ano anterior, o repasse total ficará perto de R$ 14,2 bilhões.

Nesse cenário, cada trabalhador receberia cerca de R$ 21 para cada R$ 1.000 de saldo. O valor exato, no entanto, só será definido após a decisão do Conselho Curador.

As simulações para diferentes perfis de saldo são as seguintes:

  • Saldo de R$ 1.000: recebimento estimado de R$ 21;
  • Saldo de R$ 5.000: recebimento estimado de R$ 105;
  • Saldo de R$ 10.000: recebimento estimado de R$ 210.

Quem tem direito?

Todo trabalhador que possuía saldo em conta vinculada do FGTS em 31 de dezembro de 2025 tem direito à distribuição. Além disso, não há valor mínimo exigido para participar.

O critério é simples: basta ter tido saldo ativo na data de referência. Portanto, mesmo quem tinha pouco dinheiro no fundo participa da divisão, ainda que com valor proporcional ao saldo.

Quando o crédito será feito?

A Caixa Econômica Federal, responsável pela operação do fundo, ainda fecha o balanço de 2025. Depois da conclusão desse processo, o Conselho Curador analisa e aprova o resultado.

Em seguida, a Caixa calcula o valor devido a cada trabalhador e deposita diretamente nas contas vinculadas do FGTS. O prazo final para o crédito é 31 de agosto de 2026.

Regras para saque do valor recebido

O lucro distribuído entra no saldo do FGTS, mas não pode ser sacado livremente. Contudo, o trabalhador pode retirar o dinheiro nas situações previstas em lei, que são:

  • Demissão sem justa causa;
  • Aposentadoria;
  • Compra do primeiro imóvel;
  • Diagnóstico de doença grave;
  • Saque-aniversário, para quem aderiu à modalidade.

Fora dessas hipóteses, o valor permanece bloqueado nas mesmas condições do restante do saldo do fundo.

Como o FGTS corrige o dinheiro do trabalhador?

O FGTS rende 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR). Além disso, após decisão do Supremo Tribunal Federal, a distribuição dos lucros passou a integrar a conta de correção do fundo.

Na prática, a soma da TR, dos 3% ao ano e da parcela do lucro distribuída deve garantir, no mínimo, correção equivalente ao IPCA, o índice oficial da inflação. Por lei, porém, o resultado positivo do fundo não pode ser distribuído integralmente.

O percentual destinado aos trabalhadores é definido pelo Conselho Curador a cada ano.

Veja como consultar o saldo do FGTS

O trabalhador pode verificar o saldo pelo aplicativo FGTS, disponível para celulares com sistema Android e iOS, ou pelo site da Caixa. Para acessar, é preciso informar dados pessoais e o NIS, Número de Inscrição Social.

Esse número pode ser encontrado na carteira de trabalho, no cartão cidadão ou em extratos antigos do fundo. Depois do cadastro, o trabalhador cria uma senha numérica de seis dígitos.

Pelo aplicativo, é possível acompanhar o saldo, verificar depósitos do empregador e conferir créditos da distribuição de lucros.

Histórico das distribuições anteriores

A distribuição de 2025, referente ao resultado de 2024, repassou R$ 12,9 bilhões aos trabalhadores, de um lucro total de R$ 13,6 bilhões.

Em 2024, o lucro total foi de R$ 23,4 bilhões, com distribuição de R$ 15,2 bilhões. Já em 2023, o fundo teve lucro de R$ 12,8 bilhões e distribuiu R$ 12,7 bilhões. Em 2022, o lucro alcançou R$ 13,3 bilhões, com repasse de R$ 13,2 bilhões.

Em 2021, foram distribuídos R$ 8,1 bilhões de um total de R$ 8,5 bilhões. Em 2020, o lucro foi de R$ 11,3 bilhões, com distribuição de R$ 7,5 bilhões.

Por fim, em 2019, o lucro de R$ 12,2 bilhões foi distribuído integralmente aos trabalhadores.

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O resultado de 2025, que serve de base para a distribuição em 2026, ainda passará pela análise formal do Conselho Curador antes da liberação dos valores.

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