A tradicional Festa de Nossa Senhora do Carmo ocorreu nesta quinta-feira (16), na comunidade de Forte Coimbra, em Corumbá. O evento reuniu fiéis e visitantes em uma programação de celebrações religiosas, procissões terrestres e uma procissão fluvial.
A devoção a Nossa Senhora do Carmo em Forte Coimbra tem raízes profundas na história militar da região. Afinal, o forte foi erguido em 1775 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1975.
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A tradição está associada a dois episódios históricos marcantes. O primeiro é datado de 1801, quando um exército espanhol com 600 homens, embarcações e 30 canhões avançou sobre o forte, defendido por apenas 110 soldados.
A guarnição resistiu por nove dias, e a retirada inimiga teria ocorrido após a aparição da imagem da santa na entrada da fortificação.
Já em 1864, durante a Guerra do Paraguai, 3,2 mil soldados paraguaios cercaram o forte, defendido por apenas 149 brasileiros. Após dois dias de combate, a exibição da imagem de Nossa Senhora do Carmo por um soldado levou os adversários a suspenderem o ataque.
A imagem reverenciada nessas ocasiões foi trazida ao local por Ricardo Franco, fundador e primeiro comandante do forte. Ela permanece na capela da Vila Civil, onde recebe honras militares.
Além disso, joias, fotografias, cédulas e condecorações depositadas aos pés da santa simbolizam graças alcançadas ao longo das décadas.
Turismo religioso e identidade cultural
A Festa de Nossa Senhora do Carmo integra o calendário oficial de eventos religiosos e culturais de Corumbá. O evento fortalece o turismo religioso no município e valoriza o patrimônio histórico local.
Dessa forma, a celebração vai além da dimensão espiritual e se consolida como expressão da identidade cultural da região.
As atividades desta quinta-feira (16) tiveram início às 6 horas da manhã e se estenderam até as 14 horas da tarde. A festa preserva uma tradição centenária vinculada à história do forte.
Cerimônia da troca do manto
Um dos momentos mais simbólicos da festa foi a cerimônia de troca do manto da padroeira. Esse ritual ocorre logo após a primeira procissão terrestre e representa a renovação da devoção dos fiéis à santa.
Além disso, o ato reforça o vínculo entre a comunidade e a tradição religiosa preservada no local há mais de dois séculos.
