Uma cooperativa do Amapá fechou contrato para fornecer 15 mil toneladas de açaí à China até 2031, fortalecendo a exportação, gerando renda para comunidades agroextrativistas.

A cooperativa Amazonbai, formada por produtores agroextrativistas das regiões do Bailique e do Beira Amazonas, fechou um contrato de cinco anos para fornecer 15 mil toneladas de açaí a uma das maiores redes de distribuição de alimentos da China. O acordo, firmado durante a feira Sial China, em Xangai, assegura mercado para a produção da cooperativa até 2031 e representa um importante passo para a expansão do fruto amazônico no mercado asiático.

A negociação estabelece o fornecimento médio de aproximadamente 3 mil toneladas de açaí por ano, deixando claro que o contrato contempla apenas a produção da Amazonbai, e não toda a safra do estado do Amapá, como chegou a ser divulgado em algumas publicações.

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CONTRATO OFERECE SEGURANÇA PARA PRODUTORES DA AMAZÔNIA

Para os cooperados, o acordo representa mais do que uma oportunidade de exportação. A existência de um comprador fixo pelos próximos cinco anos proporciona maior previsibilidade para organizar a colheita, o beneficiamento e a logística de entrega.

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Esse modelo reduz a dependência das oscilações do mercado, permitindo que os produtores planejem investimentos e mantenham maior estabilidade financeira, em contraste com a comercialização tradicional, marcada pela negociação de preços a cada safra.

FEIRA INTERNACIONAL ABRIU PORTAS PARA O MERCADO CHINÊS

A parceria foi consolidada durante a Sial China 2026, considerada a maior feira de alimentos e bebidas da Ásia. O evento reuniu mais de cinco mil expositores de dezenas de países e recebeu cerca de 180 mil visitantes especializados no setor.

A participação brasileira também alcançou um marco histórico, com 82 empresas exportadoras presentes, número superior às 54 registradas na edição anterior. Segundo a ApexBrasil, a expectativa era movimentar aproximadamente US$ 3,3 bilhões em negócios realizados durante e após a feira.

A presença da Amazonbai no evento foi viabilizada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio do programa Rotas de Integração Nacional. O governo federal investiu cerca de R$ 207 mil para apoiar a participação de cooperativas brasileiras na missão comercial realizada em Xangai.

MODELO DE PRODUÇÃO PRESERVA A FLORESTA AMAZÔNICA

A Amazonbai reúne famílias que coletam o açaí diretamente da floresta nativa, mantendo a vegetação preservada e sem substituir o ambiente por áreas agrícolas.

Esse sistema de produção fortalece o valor do produto no mercado internacional, principalmente entre compradores que priorizam alimentos associados à conservação ambiental. Ao gerar renda com a floresta em pé, a atividade extrativista reduz a pressão por desmatamento e transforma a preservação em um diferencial econômico.

Segundo o presidente da cooperativa, Amiraldo Picanço, o contrato poderá abrir espaço para que outros produtos da Amazonbai e de cooperativas brasileiras também ingressem no mercado asiático, ampliando as oportunidades de exportação.

CERTIFICAÇÃO AINDA É ETAPA ESSENCIAL PARA INICIAR OS EMBARQUES

Apesar da assinatura do contrato, as exportações ainda dependem do cumprimento de exigências sanitárias impostas pelo governo chinês.

Antes de embarcar alimentos para a China, empresas estrangeiras precisam obter o registro GACC, autorização concedida pela Administração Geral de Alfândegas da China. A certificação exige adequação das unidades de beneficiamento, sistemas de rastreabilidade e controle sanitário em todas as etapas da cadeia produtiva.

No caso do açaí amazônico, coletado em áreas de várzea e transportado principalmente por rios, o processo de adequação tende a ser mais complexo do que em cadeias industriais tradicionais. O cronograma para obtenção dessa licença será determinante para definir quando os primeiros carregamentos chegarão ao mercado chinês.

DEMANDA CHINESA CRESCE POR ALIMENTOS SUSTENTÁVEIS

O interesse da China pelo açaí acompanha uma tendência de expansão do consumo de alimentos com alto valor nutricional, origem certificada e produção sustentável.

Além do consumo in natura, o fruto possui diversas aplicações industriais, sendo utilizado na fabricação de bebidas, sobremesas, polpas congeladas e produtos processados, o que amplia as possibilidades comerciais dentro do país asiático.

Nesse contexto, o diferencial competitivo não está apenas no produto, mas também na história que acompanha sua produção. A associação entre floresta preservada, comunidades tradicionais e rastreabilidade agrega valor ao açaí brasileiro diante de consumidores que valorizam práticas ambientais responsáveis.

ESTRUTURA DE APOIO FORTALECE EXPORTAÇÕES

O contrato firmado pela Amazonbai faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da cadeia produtiva do açaí. A cooperativa integra a Rota do Açaí, iniciativa que oferece assistência técnica, apoio à certificação, melhorias na logística e no beneficiamento da produção.

No Amapá, ações ligadas ao Selo Amapá também contribuem para aumentar a competitividade dos produtos regionais no mercado internacional, destacando práticas sustentáveis e a identidade amazônica.

DESAFIO SERÁ MANTER A QUALIDADE E REGULARIDADE NA PRODUÇÃO

Cumprir um contrato internacional de longa duração exigirá organização contínua da cadeia produtiva. A cooperativa terá de assegurar volume suficiente, padrão uniforme de qualidade e eficiência logística para realizar as entregas durante os cinco anos de vigência do acordo.

Outro ponto que ainda deverá ser definido é a forma de distribuição dos resultados financeiros entre os cooperados. A divisão da renda gerada pelas exportações será um fator decisivo para medir o impacto econômico do contrato na vida das famílias responsáveis pela coleta do açaí na Amazônia.

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