As sete pessoas que morreram em um grave acidente na noite de sexta-feira (14), na MS-180, em Mato Grosso do Sul, pertenciam à mesma família e eram indígenas da etnia Guarani. Entre as vítimas estava Tiago Honorio dos Santos, conhecido como Tiago Karai. O grupo, que morava em São Paulo, estava no estado para participar de um intercâmbio cultural e religioso entre aldeias da região.
A colisão aconteceu no trecho da rodovia entre os municípios de Iguatemi e Japorã e envolveu um Chevrolet Spin alugado e o semirreboque de uma carreta carregada com milho. Com a força do impacto, o carro foi tomado pelas chamas e os sete ocupantes morreram carbonizados.
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Segundo uma testemunha, o semirreboque teria se desprendido do conjunto da carreta e atingido o Spin de frente. Após a batida, o caminhoneiro teria deixado o local no cavalo mecânico, seguindo em direção a Japorã, sem prestar socorro às vítimas.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 20h56 para controlar o incêndio. Lideranças indígenas e familiares também ajudaram a Polícia Civil e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) na identificação das vítimas.
O grupo havia passado pela Aldeia Porto Lindo, em Japorã, e seguia para a Aldeia Cerrito, em Eldorado.
Vítimas
Entre os mortos está Tiago Honorio dos Santos, conhecido como Tiago Karai, de 34 anos. Ele era uma das principais lideranças indígenas de São Paulo e morava na Aldeia Kalipety, localizada na Terra Indígena Tenondé Porã, em Parelheiros, na capital paulista.
Também morreram Laudiceia Benites, de 31 anos, esposa de Tiago; os filhos do casal, Luna Benites Santos, de 7 anos, e Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, de 14; Cleonice Honorio dos Santos, de 42 anos, irmã de Tiago; além de Ileo Benites, de 30, e Genilson Euzébio Karay Mirim, de 32 anos. Todos eram moradores da Aldeia Kalipety.
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Perícia e investigação
Equipes da Polícia Científica realizaram a perícia no local do acidente. Os corpos foram removidos pela Funerária São José e encaminhados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), em Dourados e Campo Grande, onde passaram pelos procedimentos oficiais de identificação e liberação às famílias.
A Polícia Civil de Iguatemi abriu um inquérito para esclarecer as circunstâncias da colisão. A investigação deverá apurar, entre outros pontos, o que provocou o desprendimento do semirreboque e a possível omissão de socorro por parte do motorista da carreta, que ainda não havia se apresentado às autoridades.
MPF lamenta morte de liderança indígena
O Ministério Público Federal (MPF) lamentou a morte dos sete indígenas e destacou a atuação de Tiago Karai na defesa dos direitos do povo Guarani.
Segundo o órgão, o líder participou de iniciativas voltadas às comunidades indígenas, entre elas a criação do Comitê Interaldeias, além de atuar junto ao MPF em questões relacionadas aos direitos dos povos Guarani.
Em nota, o MPF também prestou solidariedade aos familiares e amigos das vítimas e às comunidades das Terras Indígenas Tenondé Porã e Yvy Katu.
“Tiago era uma das mais importantes lideranças indígenas do estado”, afirmou o órgão, ao destacar a atuação do líder nas negociações e na defesa das comunidades.
O MPF classificou a morte dos sete indígenas como uma perda “trágica e precoce” e manifestou condolências a todo o povo Guarani.
