Entidades contestam comparação feita pelo senador

Entidades ligadas à agroindústria e ao setor de etanol reagiram às declarações do senador Flávio Bolsonaro e classificaram como desinformativa a comparação entre a mistura obrigatória de etanol à gasolina e a chamada “reduflação”. Segundo o setor, a adoção do biocombustível é resultado de uma política energética construída pelo Brasil há décadas, respaldada por estudos técnicos e voltada à segurança energética, à redução de importações e ao fortalecimento da produção nacional.

Entidades contestam comparação feita pelo senador

Representantes da cadeia produtiva do etanol afirmam que a mistura do biocombustível à gasolina não significa redução da qualidade ou da quantidade de combustível oferecida ao consumidor. Para o setor, trata-se de uma política energética consolidada ao longo de aproximadamente cinco décadas, desde a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) até iniciativas mais recentes, como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.

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As entidades argumentam que o etanol contribui para elevar a octanagem da gasolina, pode favorecer a eficiência dos motores e reduz a dependência brasileira de petróleo e derivados importados. A cadeia também é apontada como responsável pela geração de empregos e movimentação econômica em diferentes regiões do país.

Setor cita apoio de Flávio à legislação

Na reação às declarações, as entidades lembraram que Flávio Bolsonaro apoiou a Lei do Combustível do Futuro durante sua tramitação no Congresso Nacional.

A legislação ampliou e consolidou mecanismos para incentivar o uso de biocombustíveis no país e integra uma estratégia de redução de emissões, ampliação da utilização de fontes renováveis e diminuição da exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional de petróleo.

Para o setor, há uma contradição entre o apoio dado pelo senador à legislação e as críticas posteriores à política de mistura do etanol.

Percentual é definido com base em estudos

As entidades também destacam que a proporção de etanol adicionada à gasolina não é estabelecida de forma arbitrária. As decisões envolvem avaliações do governo federal, órgãos reguladores, fabricantes de veículos, importadores e instituições técnicas.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) participa do processo regulatório, que considera aspectos como qualidade, segurança, eficiência e compatibilidade dos combustíveis com a frota brasileira.

De acordo com o setor, alterações na composição da gasolina são precedidas por estudos e testes para avaliar os efeitos das diferentes concentrações de etanol.

Testes avaliaram carros e motocicletas

Segundo as entidades, ensaios laboratoriais e testes em pista analisaram o comportamento de diferentes misturas em veículos de várias gerações.

Foram avaliados 16 modelos de automóveis e 13 modelos de motocicletas fabricados entre 1994 e 2024. Conforme os resultados apresentados pelo setor, misturas com até 32% de etanol não provocaram prejuízos ao desempenho dos motores analisados.

Os dados são utilizados pelas entidades para defender que o aumento gradual da participação do biocombustível é respaldado por avaliações técnicas e não apenas por decisões de natureza política.

Etanol contribui para a qualidade da gasolina

Outro argumento apresentado pelo setor é a elevada octanagem do etanol. Essa característica aumenta a resistência do combustível à detonação no motor e pode contribuir para o funcionamento mais eficiente dos veículos.

Segundo as entidades, países que não contam com uma indústria de etanol semelhante à brasileira precisam utilizar outros componentes para alcançar determinadas especificações de qualidade da gasolina.

No Brasil, a produção do biocombustível se desenvolveu em conjunto com os setores agrícola, industrial e automotivo, formando uma cadeia integrada de produção, distribuição e consumo.

Biocombustível reduz dependência de importações

O desenvolvimento do etanol também é apontado como um dos fatores que contribuíram para o elevado grau de autonomia energética do Brasil no chamado ciclo Otto, que reúne principalmente veículos leves movidos a gasolina, etanol ou pela combinação dos dois combustíveis.

Essa estrutura reduz a necessidade de importação de derivados de petróleo e ajuda a diminuir a exposição do consumidor brasileiro às variações do mercado internacional.

Com a expansão dos veículos flex, o consumidor passou a ter ainda a possibilidade de escolher entre gasolina e etanol hidratado de acordo com preço, disponibilidade e conveniência.

Cadeia produtiva alcança mais de mil municípios

Além dos efeitos sobre a matriz energética, o setor destaca o impacto econômico da produção de etanol. A atividade está presente em mais de mil municípios brasileiros e movimenta segmentos agrícolas, industriais, logísticos e comerciais.

A cadeia inclui usinas, produtores rurais e fornecedores de máquinas, equipamentos, tecnologia, transporte e serviços, além dos empregos diretamente ligados à produção do biocombustível.

Na avaliação das entidades, enfraquecer a política de incentivo ao etanol poderia afetar uma indústria considerada estratégica para a segurança energética, o desenvolvimento regional e a produção de energia renovável.

Política brasileira começou há cinco décadas

A expansão do etanol como combustível ganhou força na década de 1970, quando o Brasil buscava alternativas à forte dependência do petróleo importado.

Criado nesse contexto, o Proálcool se tornou uma das principais políticas de substituição de combustíveis fósseis já implementadas no país. Décadas depois, a chegada dos veículos flex ampliou o mercado do biocombustível.

Mais recentemente, políticas como o RenovaBio e o Combustível do Futuro incorporaram novas metas relacionadas à eficiência energética, redução de emissões e expansão das fontes renováveis.

Para o setor, comparar a mistura de etanol à gasolina com uma redução artificial da quantidade de um produto desconsidera a trajetória histórica, os fundamentos técnicos e os efeitos econômicos da política brasileira de biocombustíveis.

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As entidades afirmam que continuarão defendendo o modelo com base em estudos técnicos, evidências científicas e resultados econômicos. Na avaliação do setor, o etanol não representa uma redução do combustível entregue ao consumidor, mas uma tecnologia desenvolvida no Brasil que contribui para a eficiência energética, a geração de empregos, a redução das importações e o fortalecimento da soberania energética.

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