Um caminhoneiro de 20 anos foi abordado pela Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) em Jaraguá do Sul, no Norte do estado, depois que os agentes suspeitaram que uma criança estivesse dirigindo o caminhão. Com cerca de 1,60 m de altura, voz aguda e aparência infantil, Gabriel Allan Rodrigues apresentou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e foi liberado. A abordagem aconteceu na quinta-feira (20/08) e foi divulgada na última quarta-feira (26/08).
Natural de Mafra e morador de Jaraguá do Sul, Gabriel contou que percebeu a movimentação da polícia enquanto dirigia pela cidade para carregar o veículo. Segundo ele, os agentes passaram pelo caminhão, fizeram uma conversão e começaram a segui-lo. "Quando eu estava voltando com o caminhão para carregar, a polícia estava vindo de encontro comigo. Ela olhou para mim e eu acredito que eles ficaram desconfiados. Então, eles fizeram a volta e vieram atrás", relatou.
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APARÊNCIA JÁ PROVOCOU OURRA CONFUSÕES
Depois da abordagem, a dúvida dos policiais foi esclarecida com a apresentação da CNH. Para Gabriel, entretanto, situações semelhantes já fazem parte da rotina.
O motorista afirma que frequentemente é confundido com adolescentes e até crianças por causa da aparência. "Já me falaram que eu tenho 15, 16. Em casos extremos, falaram que eu tenho até 10 anos", contou.
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Apesar das situações inusitadas, Gabriel diz que costuma encarar os episódios com bom humor.
MOTORISTA JÁ FOI IMPEDIDO DE ENTRAR EM EMPRESAS
O trabalho com entregas, coletas e montagem de paletes faz com que Gabriel passe por diferentes empresas e locais de carga e descarga. A aparência jovem, porém, já provocou situações constrangedoras durante o expediente.
Em uma delas, o caminhoneiro chegou à portaria de uma empresa para entregar a documentação referente ao transporte, mas foi informado de que não poderia entrar porque seria menor de idade.
"No meu dia a dia, às vezes vou entregar a nota em um lugar e o pessoal fala: 'olha, infelizmente você não vai poder entrar. O motorista vai ter que entrar sozinho, porque menor de idade não entra aqui. Você vai ter que esperar o motorista'. Daí eu fico pensando: 'Mas como assim? Eu sou o motorista'", relatou.
Nas docas de descarga, a confusão também já aconteceu. Funcionários chegaram a acreditar que Gabriel era apenas ajudante ou algum familiar do verdadeiro motorista e pediram que ele chamasse o responsável pelo caminhão.
BRINCADEIRAS VIRARAM PARTE DA ROTINA
Em outro local onde costuma trabalhar, uma funcionária transformou a aparência do caminhoneiro em motivo para brincadeiras.
"Tem uma funcionária que nunca perde a oportunidade de tirar sarro de mim. Ela sempre fala: 'faltou aula hoje, criança?'. Quando eu pego a nota para entregar para ela, ela vem e tira sarro de mim e diz: 'o que você está fazendo? Está vendendo rifa da escola?'", contou.
Gabriel, porém, faz questão de explicar que encara as provocações como brincadeira e mantém uma relação positiva com a funcionária. "É claro que é só motivo de dar risada. Ela é um amor de pessoa e sempre atende todos bem", afirmou.
ATÉ NO BANCO ELE FOI CONFUNDIDO COM CRIANÇA
As situações provocadas pela aparência não acontecem somente durante o trabalho. Gabriel também passou por um episódio curioso ao tentar abrir uma conta bancária.
Segundo o caminhoneiro, o funcionário que o atendeu acreditou que ele fosse uma criança desacompanhada e passou a conversar com ele como se estivesse diante de um menor de idade.
"Fui tentar abrir uma conta e eles começaram a conversar comigo com uma voz muito mansa: 'Você tá sozinho? Você precisa vir com teu pai ou com a tua mãe aqui no banco, não pode vir sozinho'", relatou.
DOCUMENTOS SEMPRE À MÃO
Depois de tantas confusões, Gabriel adotou uma estratégia para evitar transtornos: passou a carregar os documentos originais constantemente.
Identidade e CNH, segundo ele, estão sempre por perto durante viagens, fiscalizações e compromissos profissionais. A experiência também ensinou que informar apenas a idade nem sempre é suficiente para convencer quem duvida. "Uma coisa que aprendi é andar sempre junto do documento. Identidade, habilitação, estão sempre no bolso, sempre junto comigo", afirmou.
Para o caminhoneiro, a diferença entre dizer que tem 20 anos e comprovar a informação está justamente no documento. "Às vezes eu falo e acabo me passando por mentiroso, ninguém acredita em mim. Mas com o documento no bolso, não tem como enganar mais", concluiu.
