Fachin afirmou que anunciará as medidas cabíveis nos próximos dias, após análise necessária.

Nesta quarta-feira (02/09), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que a Corte adotará as medidas necessárias diante das mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, qualquer decisão será tomada após a análise dos fatos e o cumprimento dos procedimentos institucionais, “no tempo devido e sem precipitação”.

A declaração ocorreu durante a abertura das 17ª Jornadas Ítalo-Espanholo-Brasileiras de Direito Constitucional, em Brasília. Durante o evento, Fachin defendeu a preservação da integridade e da credibilidade do Supremo diante das circunstâncias envolvendo o Banco Master e afirmou que a autoridade da Corte deve estar acompanhada da confiança da sociedade.

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Ainda durante o evento, Fachin disse que os elementos revelados precisam receber o encaminhamento institucional adequado e exigem “serenidade, responsabilidade e firmeza”. O presidente do STF também ressaltou que a ocupação de cargos de alta autoridade não garante privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades previstos na Constituição e nas leis.

Após a conclusão da análise dos acontecimentos e dos procedimentos internos, Fachin afirmou que anunciará as medidas cabíveis. “Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias”, declarou.

As declarações de Fachin ocorreram após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes, obtidas pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. O nome de Moraes surgiu após a quebra do sigilo do celular de Vorcaro, cujo relatório de investigação foi divulgado nesta terça-feira (1º/09).

Segundo a PF, Vorcaro mantinha no aparelho um contato registrado com o nome de Alexandre de Moraes. Contudo, parte das conversas não pôde ser recuperada porque o contato utilizava mensagens de visualização única e registros no bloco de notas. Em uma das mensagens localizadas, Vorcaro teria dito que “estava tentando antecipar os investigadores”, em conversa datada de 17 de novembro de 2025.

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Ainda na noite desta de terça-feira (1°/09), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou a legalidade da investigação. Em manifestação ao STF, ele defendeu a nulidade da apuração e afirmou que o ministro André Mendonça teria agido de forma ilegal ao aprofundar as investigações sobre as conversas entre Moraes e Vorcaro.

Para Gonet, uma apuração com esse alcance dependeria de autorização do plenário do Supremo. O procurador-geral também sustentou que eventual investigação envolvendo Moraes deveria ser encaminhada a Fachin, que então submeteria o caso ao plenário, em vez de permitir que a medida fosse executada diretamente pela Polícia Federal.

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