O exame necroscópico realizado em Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, encontrou 14 equimoses em diferentes partes do corpo da técnica em radiologia, morta após ser atingida por um disparo de arma de fogo em Embu das Artes, na Grande São Paulo.
O laudo integra a investigação conduzida pela Polícia Civil para esclarecer as circunstâncias da morte. As marcas foram identificadas nas mãos, nos pés, nos joelhos e na perna esquerda da vítima.
CONTEÚDOS RELACIONADOS
- PM é preso após morte da esposa; polícia aponta inconsistências no depoimento
- Interrogatório de tenente-coronel acusado de feminicídio é adiado pela 2ª vez
- Caso Gisele: Justiça mantém prisão de coronel PM acusado de feminicídio
Segundo o documento, uma das equimoses estava localizada na lateral da mão esquerda, próxima ao dedo mínimo. Outra foi identificada no dorso da mão direita.
O exame também registrou duas marcas nos pés. Nos joelhos, foram encontradas cinco lesões: três no lado direito e duas no esquerdo.
A perna esquerda apresentava outras cinco equimoses, com medidas entre 1 e 1,5 centímetro. Entre todas as marcas descritas, as maiores tinham aproximadamente 4 centímetros por 2 centímetros.
Apesar de registrar as lesões, o laudo não determina quando elas foram provocadas nem aponta a causa específica. As equimoses, portanto, não são suficientes, isoladamente, para concluir se foram provocadas por uma agressão, queda ou outro tipo de ocorrência.
A coloração das marcas também não permite estabelecer com precisão quando os ferimentos aconteceram. Por isso, os achados deverão ser analisados em conjunto com os demais elementos da investigação.
O exame apontou ainda a presença de fios de cabelo soltos sobre a calça de Larissa.
O documento, porém, não esclarece a origem do material nem como os fios foram parar na roupa. A informação deverá ser confrontada com outros resultados periciais para verificar se possui relevância para a investigação.
Perícia analisa disparo que matou Larissa
A causa da morte foi identificada como traumatismo craniano provocado por ferimento por arma de fogo.
O laudo aponta que um único projétil atravessou o crânio da vítima. A entrada ocorreu na região temporal esquerda, enquanto a saída foi identificada na região temporoparietal direita.
A análise pericial descreve ainda uma trajetória de trás para frente e da esquerda para a direita.
Outro ponto indicado no documento é que o disparo não teria ocorrido à queima-roupa. A investigação considera, entre as possibilidades analisadas, que Larissa possa ter sido atingida pelas costas enquanto estava em pé.
Esses elementos fazem parte do conjunto de informações utilizado pela Polícia Civil para investigar a dinâmica da morte.
Marido está preso e nega crime
O soldado da Polícia Militar Vinícius Costa Silva, de 26 anos, marido de Larissa, está preso temporariamente no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo.
A prisão foi determinada pela Justiça por 30 dias enquanto as investigações avançam.
Vinícius nega ter matado a esposa. Em depoimento, ele afirmou que havia conversado com Larissa sobre uma possível separação e que, posteriormente, foi dormir em outro cômodo da residência.
Segundo o relato apresentado pelo policial, ele teria ouvido um barulho e encontrado a mulher caída no banheiro.
A defesa sustenta que os elementos periciais ainda precisam ser analisados para determinar exatamente o que aconteceu. Os advogados também mencionam conversas nas quais Larissa teria falado sobre a possibilidade de tirar a própria vida.
Família contesta versão apresentada pelo PM
A família de Larissa rejeita a hipótese apresentada pela defesa e sustenta que a técnica em radiologia foi assassinada.
A Polícia Civil continua investigando as diferentes possibilidades e aguarda outros resultados periciais, incluindo o exame toxicológico.
Os investigadores também devem realizar uma reprodução simulada dos acontecimentos, procedimento que poderá ajudar a confrontar os depoimentos com os vestígios encontrados no local e no corpo da vítima.
