Um casarão antigo, com ares de cenário de filme de terror, na rua Conselheiro Ramalho, em São Paulo, foi o endereço escolhido pelo empresário Daniel Vorcaro para uma festa de Halloween oferecida a autoridades há três anos.
Instituição do underground paulistano desde 1983, o Madame Satã continua em funcionamento embora muitos frequentadores das antigas desconheçam e mantém uma rotina movimentada. Aos fins de semana, filas chegam a dar a volta na quadra.
O público costuma vestir preto dos pés à cabeça, embora o chamado dress code não seja obrigatório. Considerado um dos templos da cena gótica paulistana, o clube reúne diferentes gerações em sua pista subterrânea, iluminada por um estrobo, onde roupas, acessórios e referências da cultura alternativa dividem espaço com a música.
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Do visual gótico ao pós-punk
Mais do que um ponto de encontro para quem cultiva a estética gótica, o Madame Satã mantém hoje sua relevância cultural principalmente por meio da música.
A programação reúne shows nacionais e internacionais de bandas ligadas ao pós-punk e ao synth pop, gêneros que ganharam força nos anos 1980 com grupos como Joy Division e Soft Cell e continuam encontrando público entre artistas contemporâneos.
A casa também funciona como espaço de sociabilidade. Para muitos frequentadores, o Madame é um lugar para encontrar pessoas com interesses e estilos semelhantes uma espécie de refúgio para quem não se identifica com a cena tradicional da noite paulistana.
Casarão tem decoração inspirada no terror
A decoração é outro elemento que ajuda a construir a identidade do clube. Na fachada, uma grande silhueta de morcego recebe os visitantes. No interior, gárgulas de olhos vermelhos completam o cenário.
No subsolo, a pista de dança fica em uma espécie de caverna, com iluminação reduzida, estrobo e sistema de som. O espaço ainda conta com uma lanchonete, um pequeno palco para apresentações e áreas para os frequentadores se sentarem.
A atmosfera reforça a imagem do Madame como um dos endereços mais tradicionais da cultura alternativa de São Paulo.
Festa de Vorcaro virou meme
A realização da festa de Daniel Vorcaro no local chamou atenção nas redes sociais e virou motivo de memes. Parte das brincadeiras se concentrou nos DJs contratados para a celebração: Swedish House Mafia, Vintage Culture e Solomun, nomes associados à música eletrônica comercial e distantes da programação habitual do clube.
Algumas publicações chegaram a chamar o espaço pejorativamente de "puteiro", em uma associação que não corresponde à realidade do funcionamento da casa.
Após a publicação de reportagem da revista Piauí sobre a festa, o Madame Satã afirmou nas redes sociais que apenas alugou seus espaços para o evento, assim como faz com outras festas privadas.
O episódio também evidenciou o contraste entre o perfil dos convidados de Vorcaro e o público que normalmente frequenta o clube, além da diferença entre a música eletrônica escolhida para aquela celebração e a programação tradicional da casa.
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Símbolo da cena alternativa paulistana
Historicamente, o Madame Satã se tornou um dos principais pontos de encontro da cena alternativa de São Paulo, especialmente durante o período de redemocratização do país.
Ao longo de sua história, o palco e as pistas receberam bandas como Legião Urbana, Titãs, Ira!, RPM e Inocentes. Entre os DJs que passaram pela casa estão nomes que se tornaram referências na noite paulistana, como Renato Lopes, Magal, Mau Mau e Kid Vinil.
O clube fechou no fim dos anos 2000, mas voltou a funcionar em 2012. Desde então, mantém a proposta de preservar um espaço para manifestações musicais e comportamentais fora do circuito convencional e continua sendo um ponto de encontro para diferentes gerações da cena underground.
