A jovem Ryany Lima, de 18 anos, emocionou as redes sociais nesta semana ao ouvir a própria voz pela primeira vez após a ativação de um implante coclear. Diagnosticada com surdez aos 3 anos, a mineira passou anos utilizando aparelhos auditivos e fazendo acompanhamento especializado, mas uma dúvida despertada pelo vídeo chamou a atenção de muitos internautas: como uma pessoa surda desde criança consegue falar?
Moradora de São José do Goiabal, em Minas Gerais, Ryany compartilhou o momento em suas redes sociais. Ao perceber os primeiros sons após a ativação do dispositivo, ela demonstrou surpresa e emoção. Em determinado momento, ao escutar a própria voz, chegou a perguntar se aquele som realmente vinha dela. A cirurgia havia sido realizada poucos dias antes da ativação do implante.
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SURDEZ NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE AUSÊNCIA DE FALA
A principal explicação para a dúvida levantada pelo caso está na diferença entre surdez e ausência de fala. Uma pessoa com deficiência auditiva pode se comunicar oralmente, por língua de sinais, por leitura labial, por escrita ou combinando diferentes formas de comunicação.
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No caso de Ryany, informações divulgadas sobre sua trajetória indicam que ela começou a utilizar aparelhos auditivos aos 5 anos e passou a fazer acompanhamento com fonoaudiólogos. A jovem teve, portanto, contato com estratégias de desenvolvimento da comunicação oral durante a infância.
Isso ajuda a entender por que ela consegue falar mesmo tendo perdido a audição ainda na infância.
COMO UMA CRIANÇA SURDA PODE APRENDER A FALAR?
A fala não depende exclusivamente de ouvir naquele exato momento. O desenvolvimento da linguagem pode ocorrer por diferentes caminhos e é influenciado pela idade em que a perda auditiva acontece, pelo acesso à linguagem, pelas condições auditivas e pelo acompanhamento oferecido à criança.
Quando há acesso a recursos que favorecem a percepção dos sons, como aparelhos auditivos ou implante coclear, a criança pode receber estímulos auditivos que auxiliam no desenvolvimento e na manutenção da comunicação oral. O acompanhamento fonoaudiológico também pode trabalhar habilidades relacionadas à fala e à linguagem.
Por isso, dizer que uma pessoa é surda não permite concluir automaticamente que ela não saiba ou não consiga falar.
O QUE ACONTECEU COM RYANY?
Segundo relatos publicados sobre o caso, Ryany recebeu o diagnóstico de deficiência auditiva aos 3 anos. Aos 5, começou a usar aparelhos auditivos e iniciou acompanhamento com profissionais da área. Com o passar do tempo, porém, sua capacidade auditiva ficou mais limitada.
Aos 18 anos, a jovem foi submetida a uma cirurgia para receber um implante coclear. Cinco dias depois, o dispositivo foi ativado, dando início a uma nova etapa de sua experiência auditiva.
A reação foi registrada em vídeo e publicada nas redes sociais. Ao escutar a própria voz, Ryany se mostrou surpresa e emocionada.
IMPLANTE COCLEAR NÃO É IGUAL A APARELHO AUDITIVO
O implante coclear é diferente do aparelho auditivo convencional. Enquanto o aparelho tem como função amplificar os sons, o implante transforma os estímulos sonoros em sinais elétricos que estimulam diretamente o nervo auditivo.
O dispositivo é utilizado em pessoas com perda auditiva severa ou profunda que não obtêm benefício suficiente com aparelhos auditivos convencionais, sempre após avaliação médica e de uma equipe especializada.
A tecnologia, portanto, não funciona simplesmente como um “volume” que aumenta todos os sons.
POR QUE A PRÓPRIA VOZ PARECEU TÃO ESTRANHA?
Uma das cenas que mais chamou atenção no vídeo foi justamente o momento em que Ryany percebeu o som da própria voz.
Isso ocorre porque a ativação do implante representa o início de uma nova experiência auditiva. O cérebro precisa aprender a interpretar os estímulos recebidos pelo dispositivo, e a adaptação não acontece instantaneamente.
Por isso, os primeiros sons podem parecer diferentes, estranhos ou difíceis de identificar. O processo envolve acompanhamento profissional e reabilitação auditiva, durante os quais a pessoa aprende progressivamente a reconhecer e interpretar aquilo que está ouvindo.
FALAR SEM OUVIR É POSSÍVEL?
Sim. Uma pessoa surda pode desenvolver fala oral. A trajetória de cada indivíduo, entretanto, é diferente.
Entre os fatores que podem influenciar esse desenvolvimento estão o momento em que ocorreu a perda auditiva, o acesso precoce à linguagem, o uso de aparelhos auditivos ou implantes, a reabilitação e as escolhas de comunicação da própria pessoa e de sua família.
Também é importante lembrar que a língua de sinais é uma língua completa e que pessoas surdas não precisam necessariamente desenvolver fala oral para se comunicar.
No caso de Ryany, a história reúne uma perda auditiva identificada ainda na infância, anos de acompanhamento, uso de aparelhos auditivos e, agora, uma nova experiência proporcionada pelo implante coclear.
UMA NOVA ETAPA PARA RYANY
O vídeo que viralizou não representa apenas o momento em que a jovem voltou a perceber sons. Para Ryany, a ativação marca o começo de um período de adaptação.
A própria jovem descreveu a experiência como a realização de um sonho construído ao longo de anos, destacando o esforço, o acompanhamento profissional e o apoio da família durante sua trajetória. Agora, ela precisa aprender gradualmente a reconhecer as novas informações sonoras captadas pelo implante.
O caso também ajuda a esclarecer uma ideia equivocada bastante comum: ser surdo não significa necessariamente não falar. A comunicação de uma pessoa surda pode assumir diferentes formas, e a história de cada indivíduo depende de sua trajetória, de suas escolhas e das condições de acesso à linguagem e aos recursos de comunicação.
