Pesquisa identificou quatro perfis financeiros entre trabalhadores brasileiros e apontou diferenças mesmo entre pessoas com rendas semelhantes.

Ganhar o mesmo salário não significa necessariamente ter a mesma vida financeira. Uma pesquisa da Serasa Experian identificou quatro perfis de trabalhadores brasileiros, definidos principalmente pela forma como cada pessoa administra o dinheiro, planeja o futuro e lida com dívidas.

O levantamento aponta que pessoas com rendas, idades e cargos semelhantes podem apresentar situações financeiras bastante diferentes de acordo com seus hábitos.

Os quatro grupos identificados foram: “Vivem o Agora” (13%), “Apertados” (20%), “Organizando o Futuro” (33%) e “Consolidados” (34%).

Qual é o seu perfil financeiro?

1. Vivem o Agora

Esse grupo representa 13% dos entrevistados e tem foco maior no presente, com menor nível de planejamento financeiro.

A idade média é de 36 anos. Entre eles, 66% ficaram negativados nos últimos 12 meses, enquanto 16% afirmam recorrer ao adiantamento salarial para conseguir fechar as contas do mês.

2. Apertados

Os “Apertados” representam 20% dos trabalhadores pesquisados e enfrentam maior pressão financeira. O grupo é formado por 70% de mulheres e tem idade média de 41 anos.

Segundo o levantamento, 55% possuem uma reserva de emergência inferior a um mês de renda. Apenas 12% conseguem terminar o mês com dinheiro sobrando.

A inadimplência também é alta: 62% desse grupo enfrentam problemas com pagamentos. Além disso, 47% recorrem ao cheque especial ou a empréstimos para pagar despesas básicas.

3. Organizando o Futuro

Com 33% dos entrevistados, esse grupo busca maior equilíbrio entre consumo e planejamento.

A idade média é de 39 anos. Entre os participantes, 88% afirmam conseguir equilibrar desejos com o orçamento, enquanto 62% possuem uma reserva financeira suficiente para até três meses.

O contraste com os “Apertados” chama atenção porque os dois grupos apresentam faixas de renda semelhantes.

Entre os “Apertados”, 43% recebem de dois a quatro salários mínimos. No grupo que está “Organizando o Futuro”, esse percentual chega a 49%.

Mesmo com rendimentos parecidos, 66% dos que organizam o futuro conseguem terminar o mês com dinheiro sobrando, enquanto apenas 12% dos “Apertados” conseguem fazer o mesmo.

4. Consolidados

Os “Consolidados” representam 34% da amostra e são caracterizados por maior estabilidade financeira e planejamento de longo prazo.

A idade média é de 43 anos. Segundo a pesquisa, 79% conseguem fechar o mês no azul e 72% não tiveram problemas financeiros nos últimos cinco anos.

O grupo também apresenta uma relação diferente com a inteligência artificial: 66% utilizam a tecnologia para aprender sobre investimentos.

Parcelar não é o principal problema

O levantamento também analisou o uso do crédito. O parcelamento aparece com frequência mesmo entre pessoas com diferentes níveis de organização financeira.

Para 91% dos “Apertados” e 88% dos que estão “Organizando o Futuro”, parcelar é a única maneira de comprar determinados produtos.

Os números indicam que o acesso ao crédito, isoladamente, não explica as diferenças entre os grupos. O nível de planejamento e a forma como cada trabalhador administra os recursos também influenciam os resultados financeiros.

Inteligência artificial entra na vida financeira

A IA também já faz parte da rotina de quem busca informações sobre dinheiro.

De acordo com a pesquisa, 60% dos entrevistados usam inteligência artificial para tirar dúvidas financeiras. Além disso, 74% afirmam confiar na tecnologia para orientar decisões sobre dinheiro, sendo 23% com bastante confiança e 51% com algumas restrições.

O uso varia conforme o perfil. Entre os “Apertados”, 44% recorrem à IA para negociar dívidas. Já entre os “Consolidados”, 66% utilizam a ferramenta para aprender sobre investimentos.

Como a pesquisa foi feita?

O estudo foi realizado pela SalaryFits, empresa da Serasa Experian, com 1.008 profissionais entrevistados em junho de 2026.

A pesquisa ouviu trabalhadores dos setores público e privado, nos regimes CLT e PJ, por meio de painel online, entre os dias 12 e 30 de junho.

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A amostra é composta por 60% de mulheres, 53% de pessoas da classe B, 51% de millennials e 51% de moradores da região Sudeste. Do total, 62% são casados e 73% trabalham no regime CLT em empresas privadas.

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