Audiência do Flow Podcast com Lula pode ter motivado cancelamento de debate da Globo

A Rede Globo decidiu cancelar o debate presidencial que seria realizado, nesta quinta-feira (1º), e a escolha de Luiz Inácio Lula da Silva de não participar do programa colocou a audiência no centro da discussão.

Em vez de estar no estúdio da maior emissora do país, Lula foi ao Flow Podcast, no Youtube, para uma entrevista com Igor 3K. A transmissão começou antes do horário previsto para o debate, por volta das 21h10, em que já contabilizava cerca de 400 mil pessoas que aguardavam a entrevista.

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O número cria uma situação bastante incômoda para a televisão tradicional: enquanto a Globo teria no ar um debate eleitoral sem Lula, o presidente estaria simultaneamente em outra plataforma, diante de uma audiência expressiva e concentrando a atenção de quem acompanhava a eleição naquela noite.

É justamente aí que surge a principal pergunta: a Globo levou em consideração o risco de colocar no ar um debate sem Lula e acabar perdendo público para o Flow? Não existe confirmação de que esse tenha sido o motivo do cancelamento, mas a audiência da presença do candidato do PT no Youtube era real, em que por volta das 21h40, a entrevista já era assistida por mais de 1,5 milhão de pessoas.

Mas, a emissora justificou a decisão pelas mudanças provocadas por decisões judiciais e pela dificuldade de reorganizar o programa poucas horas antes da transmissão. Mas a coincidência entre os dois eventos inevitavelmente colocou a audiência no centro das especulações.

A escolha de Lula também é relevante porque o debate da Globo tradicionalmente funciona como um dos principais momentos da campanha presidencial na televisão. Sem um dos nomes centrais da disputa, o interesse pelo confronto poderia ser diferente, justamente no mesmo momento em que o candidato estaria atraindo espectadores para uma transmissão concorrente no YouTube.

Para piorar a situação do debate da Globo, Flávio Bolsonaro também anunciou que não participaria. A desistência veio depois de decisões do Tribunal Superior Eleitoral que alteraram as condições inicialmente previstas para a participação de Lula e para o funcionamento do programa, e a decisão de Gilmar Mendes para a participação de Renan Santos, do Missão.

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Dessa forma, oficialmente, portanto, a emissora fala em questões jurídicas e nas mudanças de última hora. Mas a questão que ficou para a noite eleitoral é outra: a perda de audiência para um programa transmitido pelo Youtube, com o principal candidato à presidente nas eleições 2026, pode ter mesmo amedrontado a maior emissora do país.

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