Novos áudios atribuídos a Isabelle Caracristi indicam que a estudante de Direito dizia trabalhar com casas de apostas havia mais de cinco anos. As gravações, obtidas pelo Balanço Geral, da Record, foram enviadas a uma mulher que acusa Isabelle de estelionato e moveu uma ação por danos morais e materiais contra ela.
O caso ganhou novos desdobramentos após a morte da estudante, que caiu do 23º andar de um prédio. O noivo, João Munhoz Neto, estava preso desde 22 de setembro sob investigação por suspeita de ter incentivado Isabelle a se jogar do prédio. Na última quinta-feira (01/10), porém, a Justiça do Ceará revogou a prisão preventiva do empresário e determinou o cumprimento de medidas cautelares.
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O QUE DIZEM OS NOVOS ÁUDIOS
Nas gravações, Isabelle afirma que atuava com apostas havia mais de cinco anos. Em determinado trecho, ela relata que, enquanto outros jovens estavam concentrados nos estudos, ela conseguia obter dinheiro por meio das atividades relacionadas às apostas.
Segundo o relato atribuído à estudante, colegas também pediam que ela movimentasse valores determinados por meio das apostas. Quando o resultado ultrapassava o valor combinado, ela afirmava que devolvia o excedente.
As mensagens foram encaminhadas a uma mulher que posteriormente acusou Isabelle de estelionato. A pessoa entrou com uma ação judicial contra a estudante, cobrando indenização por danos morais e materiais.
PROCESSO VEIO À TONA APÓS A MORTE
De acordo com a defesa da mulher que moveu o processo, Isabelle teria morrido sem saber que estava sendo processada judicialmente. Desse modo, a existência das gravações e do processo acrescentou uma nova questão às investigações sobre as circunstâncias da morte da estudante.
A partir das informações, surgiu a hipótese de que Isabelle poderia ter se jogado do prédio por medo de que familiares e amigos descobrissem supostos golpes. Essa possibilidade, porém, é uma suposição e não estabelece, por si só, a motivação da queda.
NOIVO SEGUE SOB INVESTIGAÇÃO
João Munhoz Neto, de 34 anos, namorado de Isabelle Caracristi, teve a prisão preventiva revogada pela 5ª Vara do Júri de Fortaleza. A decisão, acolhendo manifestação do Ministério Público, determinou medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico, proibição de deixar a comarca e afastamento dos familiares de Isabelle. Ele havia sido preso sob suspeita de induzir a jovem ao suicídio e de obstruir a Justiça. A defesa nega as acusações e contesta relatos de controle e abuso psicológico.
A perícia apontou que Isabelle morreu após uma queda voluntária do prédio onde morava com Munhoz, descartando acidente e a hipótese de que ela tenha sido empurrada. As investigações analisam mensagens enviadas pela jovem antes da morte, nas quais ela relataria ameaças e comportamentos controladores atribuídos ao namorado.
Também são apuradas discussões financeiras: Munhoz afirmou ter emprestado pouco mais de R$ 14 mil a Isabelle, enquanto a mãe dele teria emprestado outros R$ 7 mil. A polícia ainda analisa mais de 700 imagens das câmeras do prédio e já ouviu 25 pessoas.
As gravações sobre a suposta relação de Isabelle com casas de apostas passam agora a integrar o conjunto de informações que podem ser analisadas no curso das investigações. Até o momento, os áudios não comprovam que a atividade relacionada às apostas tenha relação direta com a morte da estudante.
