O dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado nesta segunda-feira (12/10), mobiliza fiéis em todo o Brasil com missas, orações e programações especiais em homenagem à padroeira do país. Reconhecida oficialmente como padroeira do Brasil em 1930, a santa tem uma história que remonta a 1717, quando três pescadores encontraram uma pequena imagem no rio Paraíba do Sul, na região de Guaratinguetá, no interior de São Paulo.
A história foi relatada pelo padre Agenor Vieira, pároco da Catedral Metropolitana de Brasília, em entrevista à coluna Claudia Meireles. Segundo a tradição católica, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso estavam encarregados de pescar para um banquete em homenagem a Assumar, governador da província de São Paulo e Minas Gerais, que visitava a região.
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Os pescadores, porém, enfrentavam dificuldades para conseguir peixes. Depois de várias tentativas sem sucesso, eles retiraram das águas o corpo de uma imagem. Ao lançarem novamente as redes, encontraram a cabeça da pequena figura de Nossa Senhora. O episódio é considerado o marco inicial da devoção à santa, que se espalhou pelo país ao longo dos séculos.
“Depois daquele encontro, os pescadores lançaram novamente as redes e tiveram uma pesca abundante. A partir daquele momento, aquela pequena imagem começou a ser venerada pelas famílias e pelas comunidades da região. A devoção foi crescendo e a casa de Filipe Pedroso se tornou um lugar de oração. Aos poucos, foram surgindo relatos de graças alcançadas e de pessoas que recorriam à intercessão de Nossa Senhora”, conta o sacerdote.
Como surgiu a devoção a Nossa Senhora Aparecida?
Com o crescimento da devoção e a divulgação de relatos de graças alcançadas, foi construída a primeira capela dedicada à santa, no Morro dos Coqueirinhos. A comunidade se desenvolveu ao redor do local, na região onde atualmente fica o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, um dos principais destinos de peregrinação religiosa do Brasil.
Para o padre Agenor Vieira, a força da devoção está ligada à maneira simples como a história começou e à identificação dos brasileiros com a imagem de Maria. Ao longo dos séculos, a fé na santa passou a fazer parte da cultura e da religiosidade popular, reunindo pessoas de diferentes gerações em momentos de oração, agradecimento e pedidos de proteção.
“Nossa Senhora Aparecida se tornou tão importante porque o povo brasileiro reconheceu naquela pequena imagem a presença materna de Maria. Ela se tornou uma expressão muito bonita da fé simples e profunda do nosso povo”, analisa o sacerdote.
A escolha de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil representa, segundo o padre, a confiança dos fiéis na intercessão de Maria. O título não significa que a santa substitua Deus, mas que é reconhecida pela tradição católica como mãe de Jesus e intercessora junto a Cristo.
“Quando a Igreja reconhece Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, está confiando o nosso povo à sua intercessão materna. Não significa que Maria ocupe o lugar de Deus. Pelo contrário: Maria é a Mãe que nos conduz a Cristo”, explica Agenor Vieira.
Por que Nossa Senhora Aparecida é tão venerada?
Mais de três séculos depois do encontro da imagem, a devoção continua presente na vida de milhões de brasileiros. Para o pároco, a permanência dessa tradição está relacionada à mensagem de fé e esperança associada a Maria, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelas famílias.
“Mais de 300 anos depois, o povo continua chegando aos pés de Nossa Senhora com as mesmas necessidades humanas, pede pela família, pela saúde, pelos filhos, pelo trabalho, pela paz e agradece pelas graças recebidas. Isso mostra que a fé não ficou presa à história de 1717. Ela continua acontecendo na vida concreta das pessoas”, afirma o padre.
A celebração de 12 de outubro, portanto, vai além da lembrança histórica do encontro da imagem. Para os devotos, a data é uma oportunidade de renovar a fé, agradecer por bênçãos recebidas e pedir proteção para familiares e comunidades. As homenagens também reforçam a presença da santa na cultura brasileira, em romarias, festas religiosas e manifestações populares.
