A realização de uma das maiores procissões do Círio de Nazaré mobilizou não apenas milhares de fiéis, mas também uma estrutura dedicada à coleta seletiva e à destinação de materiais recicláveis. Durante a Trasladação, neste sábado (10), o EcoCírio reuniu 200 catadores que atuam ao longo do percurso, em uma operação que associa gestão de resíduos, inclusão produtiva e geração de renda.
A iniciativa, coordenada pela Secretaria Executiva de Inclusão Produtiva (SEINP), envolveu 14 cooperativas e redes de reciclagem, além de catadores autônomos atendidos pelo programa Conexão Cidadã. A proposta ampliou o recolhimento de materiais com potencial de reaproveitamento durante as procissões e fortaleceu a participação dos trabalhadores da reciclagem na gestão dos resíduos gerados em um dos períodos de maior circulação de pessoas na capital paraense.
“O Ecocírio é a materialização do compromisso da Prefeitura de Belém com a dignidade humana, a justiça social e a sustentabilidade. Quando reunimos 200 catadores e catadoras, hoje, e 200 amanhã, no Círio, apoiados por 14 cooperativas, estamos garantindo que aqueles que constroem a economia circular da nossa cidade tenham voz, visibilidade e condições seguras de trabalho em um dos momentos mais importantes da nossa fé e cultura. Esse projeto une a proteção ambiental à inclusão produtiva, provando que a grandiosidade do Círio de Nazaré caminha lado a lado com o respeito aos nossos trabalhadores e ao meio ambiente”, destacou a Secretária Executiva de Inclusão Produtiva, Pamela Massoud.
Coleta seletiva mobiliza trabalhadores e equipes de apoio
Dos 200 catadores envolvidos na operação, 190 são vinculados a cooperativas e redes de reciclagem, enquanto dez atuam de forma autônoma. O trabalho é distribuído conforme o fluxo de pessoas e as características dos percursos, permitindo que os materiais descartados sejam recolhidos e encaminhados para reaproveitamento.
A estrutura de apoio inclui 51 funcionários da Secretaria Executiva de Inclusão Produtiva (Seinp), 24 educadores ambientais e 20 voluntários da Pastoral da Basílica. A atuação conjunta dá suporte aos catadores, organiza a coleta e amplia a destinação adequada dos resíduos recicláveis.
A operação também conta com equipamentos e materiais que facilitam o recolhimento e o transporte dos recicláveis. Ao todo, são utilizados 300 big bags – bolsas de grande capacidade destinadas ao armazenamento dos materiais -, com volume de até mil litros cada. Os catadores também recebem luvas, botas, camisas e vassourões para a execução das atividades.
Pontos estratégicos concentram atuação dos catadores
Na Trasladação, um dos principais pontos de atuação fica no cruzamento da travessa 14 de Março com a avenida Magalhães Barata. As equipes também estão distribuídas em outros trechos da área central do trajeto, acompanhando a circulação dos participantes. Além disso, a SEINP possui um Ecoponto, na praça da República, para a população descartar resíduos recicláveis por ecocopos e/ou sorvete.
No domingo do Círio, a coleta seletiva se concentra em corredores de grande movimentação, incluindo o Boulevard Castilhos França, a avenida Presidente Vargas e a avenida Nazaré. A distribuição dos trabalhadores e dos equipamentos considera o fluxo de pessoas e a necessidade de recolher os materiais ao longo dos percursos.
O EcoCírio integra a estrutura de limpeza organizada para as duas procissões, em articulação com as equipes municipais responsáveis pela varrição, coleta e remoção dos resíduos. Enquanto os serviços de limpeza urbana atuam na manutenção das vias, os catadores contribuem para separar e recuperar materiais que podem retornar à cadeia produtiva.
Trabalho dos catadores fortalece a economia da reciclagem
A participação dos catadores é um dos eixos centrais da iniciativa. Além de contribuir para a recuperação de materiais recicláveis, o trabalho gera renda para profissionais que desempenham uma função importante na cadeia de gestão de resíduos.
A atuação durante o Círio também amplia a visibilidade das cooperativas, redes e trabalhadores autônomos que realizam a coleta seletiva. O material recolhido representa uma fonte de renda e evidencia a contribuição desses profissionais para o reaproveitamento de recursos que, sem a separação adequada, podem ser destinados junto aos resíduos comuns.
Para quem trabalha com reciclagem, a participação no EcoCírio representa uma oportunidade de ampliar a coleta e a renda durante um período de grande movimentação em Belém. Além dos números da operação, o trabalho também revela a rotina de quem passa horas nas ruas acompanhando o fluxo dos romeiros.
Cleidiane Braz da Amaral, de 47 anos, afirmou que, ao longo dos três anos em que atua como coletora, conseguiu ampliar sua renda e destacou a emoção de contribuir para a limpeza da cidade durante o Círio de Nazaré.
“Eu gosto muito de trabalhar no Círio porque eu sinto muita emoção, e ainda ajuda muito na minha renda.”, destacou.
