Apesar de todas as dificuldades e desafios que envolvem a maternidade, a quantidade de empreendedoras no Brasil cresce consistentemente, mostrando que as mulheres não fogem à luta e encaram qualquer desafio para assumir as finanças das famílias.

Segundo dados do Sebrae-PA, até março deste ano, dos 274.258 microempreendedores individuais (MEI’s) que atuavam nas 13 regiões do Estado, 44,9% (123.09) eram mulheres. Cerca de 10,1 milhões de mulheres empreendem no Brasil, em 2022, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Contudo, mais da metade delas começam um negócio por necessidade.

No mundo dos negócios, 65% das mulheres empreendem sozinhas no universo on-line, enquanto 66% lideram pequenas e médias empresas no Brasil. Segundo levantamento da plataforma de e-commerce Nuvemshop, as mulheres são maioria no comércio digital. Boa parte das empreendedoras têm entre 18 e 29 anos (35% do total), mostrando que as mulheres começam a empreender cada vez mais jovens. Muito ativas nas redes sociais, elas utilizam mais o whatsapp como canal de vendas (76,3%) do que os homens (67,5%).

O empreendedorismo sempre esteve presente na vida de Julia Fontelles Santos, 51. “Meu pai era médico e dono de hospital e de fazenda, portanto era empreendedor. Minha mãe era empresária e teve várias lojas. Comecei trabalhando com ela nas suas lojas aos 14 anos. Aos 16 já gerenciava uma delas. Não parei mais. Eu amo empreender e nunca quis fazer outra coisa”, garante.

Júlia tem uma Cestaria artesanal, isto é, faz festas com cestas de guloseimas e flores. Ela já teve uma boleria funcional antes e, por 20 anos, um atelier de confeitaria artística. As cestas, começou a fazer durante a pandemia. “Fazia piqueniques em casa para distrair meus filhos quando estávamos confinados. Caprichava nas mesas, toalhas, flores, pães e fotografava para colocar no meu Instagram. As pessoas começaram a pedir e eu vi que tinha um negócio nas mãos. Deu tão certo que hoje só faço isso”, comemora.

"Minha demanda está tão boa que encerrei meu outro negócio para me dedicar apenas a esse e os resultados tem sido muito bons. Ainda não tenho o movimento que desejo, mas não tenho do que me queixar”

Julia Fontelles, empreendedora
"Minha demanda está tão boa que encerrei meu outro negócio para me dedicar apenas a esse e os resultados tem sido muito bons. Ainda não tenho o movimento que desejo, mas não tenho do que me queixar” Julia Fontelles, empreendedora | Divulgação

Como na pandemia as pessoas não podiam se encontrar pessoalmente, então elas enviavam cestas umas para as outras. “Minha demanda está tão boa que encerrei meu outro negócio para me dedicar apenas a esse e os resultados tem sido muito bons. Ainda não tenho o movimento que desejo, mas não tenho do que me queixar”

Empreendedora desde os 14 anos, ela não vê mais tantas dificuldades como havia no início. “Sem dúvidas o fato de que a casa tem que andar e a mulher é mais cobrada para fazer ela funcionar direito é uma das maiores dificuldades. A gente sente que a casa e os filhos são nossas responsabilidades únicas, mais do que os homens, e isso atrapalha um pouco o nosso tempo no trabalho. Ainda bem que tenho um marido muito parceiro, que divide as tarefas comigo”.

Hoje em dia, ela avalia que a maior dificuldade nem é o fato de ser mulher, mas ser uma mulher com mais de 50 anos que precisa entender a linguagem digital. “Hoje não adianta somente ter um bom produto. Tem que saber mostrar o produto na esfera digital e isso inclui estudar sobre redes sociais, estratégias, artes digitais, vídeos, é um universo muito novo pra mim”, diz.

Assim, Júlia não possui nenhum funcionário fixo. “Faço tudo. Crio as cestas, faço os pães, bolos e chocolates, alguma parte eu terceirizo. Cuido das embalagens, entregas, pedidos e eu mesma fico à frente das redes sociais. Aprendi tudo. Tenho uma “Eu-presa!”, brinca.

Rosana Benfica | Divulgação

Negócio tem sabor e aromas da Amazônia

A administradora Rosana Benfica, 52 anos, conta que sempre quis empreender. “Quando cheguei em Belém fiquei encantada com a culinária, as frutas, sabores e aromas. Comecei fazendo geleias misturando sabores e presenteei amigas. Surgiram as encomendas. Sem grandes investimentos, o negócio foi crescendo naturalmente”

Hoje ela comercializa seus produtos através das suas sociais, e criando parcerias em lojas colaborativas e feiras com ajuda do Sebrae-PA. Antes de empreender, Rosana trabalhava com exportação e madeira. A sua empresa a “Fulô de Jambu” está no mercado há dois anos. Rosana cria geleias, conservas, molhos e licores. Escolheu trabalhar com sabores regionais por pura paixão, onde pode combinar sabores únicos. “Ofereço para os meus clientes um produto diferenciado. Como a maniçoba no pote, que tem uma validade de um ano sem refrigeração. Sem conservantes. Licor de tucupi, pesto de jambu, geleia de cachaça com jambu, entre outros...”

Ela também começou seu negócio durante a pandemia, enfrentando a carestia, o isolamento social, a falta de dinheiro e conciliando as multitarefas que a mulher tem. “Tive a dificuldades desde o princípio. Mas foi sendo muito bem aceito”.

Rosana tem 2 filhos, de 32 e 22 anos, e disse que ser mãe e empreendedora não é para qualquer um. “Minha sorte é que tive dois anjos, que foram 2 babás que me ajudaram muito... Tive que renunciar muita coisa para poder crescer, sempre ajustando e conciliando a minha vida com a deles. Mas a empresa ganhou fôlego e atualmente exportamos nossos produtos para vários Estados do Brasil. Estamos em expansão. Graças a Deus!”, diz a empreendedora, que hoje conta com a ajuda de 3 colaboradores.

Mulheres empreendedoras | Divulgação

Programa ajuda elas a melhorarem negócios

O Governo Federal desenvolveu o programa Brasil para Elas. A iniciativa, lançada no dia 8 de março, reúne diversas organizações (públicas, privadas, da sociedade civil) em uma única plataforma: www.gov.br/ brasilpraelas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) é um dos parceiros e participa do conselho da organização ajudando a introduzir essas mulheres no mercado e a dar vazão para seus negócios. Por meio do portal, as mulheres podem iniciar uma trilha de formação que vai desde a área técnica até a tomada de crédito.

A maior parte das empreendedoras brasileiras atua no setor de serviços, em áreas como alimentação. Um dos desafios do programa é capacitar mulheres sobre possibilidades de empreender em outros ramos como o de tecnologia.

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