Em um cenário político cada vez mais polarizado, as ruas voltam a se transformar em palco de disputa nos Estados Unidos. O que começou como mobilizações pontuais ganhou força, escala e, agora, se consolida como uma das maiores ondas de protestos da história recente do país. Para milhões de norte-americanos, este também é um momento visto como oportunidade de pressionar o governo e influenciar os rumos políticos em um ano decisivo.

Neste sábado (28), multidões ocuparam cidades em todo o país em mais uma mobilização do movimento “No Kings” (sem reis, em tradução livre), direcionada contra as políticas do presidente Donald Trump. Segundo os organizadores, mais de 3.200 atos foram programados nos 50 estados, com expectativa de reunir mais de 9 milhões de pessoas, o que pode marcar o maior protesto não violento em um único dia na história dos Estados Unidos.

O movimento ganhou força após o retorno de Trump à Casa Branca e se tornou o principal símbolo de oposição popular ao governo. A expressão “No Kings” faz referência aos princípios democráticos e antiautoritários que, segundo os manifestantes, estariam sendo ignorados pela atual gestão.

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As mobilizações não têm uma pauta única, refletindo a diversidade de insatisfações. Entre os principais alvos estão a política externa do governo, especialmente o envolvimento recente em conflitos no Oriente Médio, além de críticas à repressão migratória, ao aumento da violência policial e às ameaças percebidas aos direitos civis.

Os protestos também ocorrem em meio a um cenário de queda na popularidade de Trump. Pesquisas recentes indicam aumento da rejeição ao governo, impulsionada pela alta no custo de vida e pelos impactos econômicos de tensões internacionais, como o conflito envolvendo Irã e aliados dos Estados Unidos.

Além das grandes metrópoles como Nova York, Los Angeles e Washington, os atos se espalharam por cidades menores e regiões tradicionalmente conservadoras, um dado considerado estratégico por analistas, especialmente com a proximidade das eleições legislativas de novembro.

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O estado de Minnesota foi apontado como epicentro das manifestações, com grandes concentrações previstas nas cidades de Minneapolis e Saint Paul. A expectativa é de que apenas essa região reúna cerca de 100 mil pessoas.

Enquanto isso, a Casa Branca minimizou os protestos. A porta-voz Abigail Jackson classificou as manifestações como “sessões de terapia para a obsessão por Trump”, indicando que o governo não vê impacto político relevante nos atos.

Ainda assim, lideranças do movimento defendem que as manifestações vão além de disputas partidárias. Para os organizadores, trata-se de um movimento em defesa da democracia e de valores considerados fundamentais na história do país.

A mobilização também ultrapassou fronteiras. Cidades da Europa registraram atos simultâneos em apoio aos protestos norte-americanos, ampliando a dimensão internacional da insatisfação.

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