Diante do agravamento das tensões no Oriente Médio e da crescente incerteza sobre os rumos do conflito, os mercados globais reagiram com forte volatilidade nesta quinta-feira (2) após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O discurso, transmitido ao vivo da Casa Branca, não trouxe clareza sobre o fim da guerra contra o Irã e acabou ampliando a desconfiança entre investidores.

A reação foi imediata. O petróleo tipo Brent, principal referência internacional, saltou 5%, atingindo US$ 106 por barril, refletindo temores sobre interrupções prolongadas no fornecimento de energia. Ao mesmo tempo, bolsas asiáticas registraram perdas expressivas: o Nikkei 225 caiu 1,5%, o Kospi recuou 2,6% e o Hang Seng perdeu 1%.

CONTEÚDOS RELACIONADOS

A instabilidade está diretamente ligada à situação no Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa grande parte do petróleo mundial. Desde que o Irã ameaçou atacar embarcações na região, os fluxos de petróleo e gás foram severamente afetados, elevando os preços e pressionando economias dependentes da commodity.

Durante o pronunciamento, Trump afirmou que os EUA estão “vencendo como nunca” e próximos de concluir seus objetivos militares. Segundo ele, a capacidade iraniana de lançar mísseis e drones foi “drasticamente reduzida”, a marinha estaria “acabada” e a força aérea “em ruínas”. O presidente também declarou que diversos líderes iranianos foram mortos, o que teria levado a uma mudança interna de comando — descrita por ele como “menos radical”.

Apesar do tom otimista, Trump não apresentou detalhes concretos sobre como pretende encerrar o conflito, limitando-se a reiterar um prazo de duas a três semanas. A ausência de um plano claro foi interpretada como um sinal de prolongamento da crise, aumentando a cautela dos mercados.

O presidente também fez um apelo incomum à comunidade internacional, sugerindo que países dependentes do petróleo do Golfo assumam a responsabilidade de garantir a segurança no Estreito de Ormuz. Além disso, incentivou essas nações a comprarem petróleo dos Estados Unidos, destacando a autossuficiência energética americana.

Quer receber mais notícias da guerra no Irã? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!

Do outro lado, o Irã respondeu com firmeza. Porta-vozes militares afirmaram que os ataques conduzidos por EUA e Israel atingiram apenas alvos “insignificantes” e acusaram os adversários de terem informações “incompletas” sobre o poderio militar iraniano. Segundo autoridades de Teerã, a produção bélica ocorre em locais desconhecidos pelos inimigos, o que manteria a capacidade operacional do país.

O governo iraniano também negou categoricamente qualquer pedido de cessar-fogo — algo que havia sido sugerido por Trump dias antes —, classificando a afirmação como “falsa e infundada”. Essa divergência de narrativas contribui para a percepção de que o conflito ainda está longe de uma resolução diplomática.

Analistas avaliam que a falta de clareza estratégica por parte dos Estados Unidos aumenta a insegurança global. A ex-assessora do Departamento de Estado americano, Melissa Toufanian, afirmou que o discurso deixou a população “mais confusa”, sem um cronograma definido ou garantias de maior segurança.

O conflito, iniciado em fevereiro com uma ofensiva conjunta de EUA e Israel, rapidamente se expandiu. Alvos estratégicos no Irã foram atingidos, incluindo instalações militares, infraestrutura energética e pontos ligados ao programa nuclear. A escalada também alcançou países do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, além de bases americanas na região.

Entre os episódios mais marcantes está a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, durante os primeiros ataques. Seu sucessor, Mojtaba Khamenei, assumiu em meio ao agravamento da crise.

Com ataques a infraestruturas críticas — como terminais petrolíferos e campos de gás — e ameaças constantes às rotas marítimas, o conflito elevou o risco de uma crise energética global. Em alguns momentos, o preço do petróleo chegou a ultrapassar os US$ 110 por barril, evidenciando a sensibilidade do mercado a qualquer novo desdobramento.

Diante desse cenário, investidores seguem atentos a sinais mais concretos sobre o fim das hostilidades. Até lá, a tendência é de manutenção da volatilidade, com impactos diretos não apenas nos mercados financeiros, mas também na inflação e no custo de energia em escala global.

MAIS ACESSADAS