O ato de fumar, outrora glamourizado pelo cinema e pela publicidade, enfrenta agora cercos cada vez mais estreitos ao redor do globo, transformando o que era um hábito social em uma questão de sobrevivência geracional e saúde pública extrema. Nesta semana, o Reino Unido aprovou uma legislação pioneira que proíbe a venda de cigarros para qualquer pessoa nascida a partir de 2009, o que reacendeu debates mundiais sobre a eficácia de medidas proibitivas contra o tabaco e se tais estratégias poderiam ser aplicadas em outras nações, como o Brasil.

Fim de jogo para o tabagismo

Essa medida britânica é vista por especialistas como um endurecimento necessário diante de um produto que continua sendo uma das principais causas de morte no mundo. A estratégia visa criar, a longo prazo, uma geração inteiramente livre do tabaco.

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O setor tabagista, por outro lado, tenta se adaptar com novos produtos atraentes para jovens, utilizando sabores e formatos apelativos para manter o mercado ativo.

Brasil já tem políticas consolidadas, mas segue outro caminho

Diferente da proibição geracional, o Brasil construiu sua reputação internacional como referência no controle do tabagismo através de regulações rigorosas, como a proibição de propagandas e o banimento de cigarros eletrônicos. Essas políticas reduziram drasticamente o número de fumantes nas últimas décadas, mas o cenário atual preocupa devido ao aumento da experimentação de dispositivos eletrônicos entre os jovens.

Gargalos ainda limitam avanço no país

Um dos maiores obstáculos no Brasil é o preço dos cigarros, considerado baixo e acessível. A partir de maio, o preço mínimo de venda subirá para R$ 7,50. Entretanto, mesmo como reajuste, o país continua tendo o 3° menor valor em toda a América do Sul.

O longo período sem reajustes também enfraqueceu o impacto dessa medida arrecadatória e inibidora. Além disso, a indústria utiliza aditivos de sabor para tornar o vício mais palatável. Outro desafio estrutural é o mercado ilegal de contrabando, que dificulta o controle total sobre o consumo.

Não existe no Brasil um debate para implementar uma lei de restrição por data de nascimento como a britânica, com a prioridade nacional ainda sendo o fortalecimento das normas de enfrentameto ao tabagismo que já existem. 

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