O que deveria simbolizar autoestima e recomeço acabou se transformando em um drama médico marcado por dor, medo e indignação. Durante sete meses, uma mulher italiana conviveu sem saber que carregava dentro do próprio corpo uma tesoura cirúrgica esquecida após uma cirurgia plástica. O caso, revelado pela imprensa italiana, provocou repercussão no país e levantou novos questionamentos sobre segurança em procedimentos estéticos.
A descoberta ocorreu somente após uma tomografia realizada na região da Emília-Romanha, no norte da Itália. O exame mostrou que o instrumento de mais de 15 centímetros permanecia alojado na região subcutânea do abdômen da paciente, de 53 anos, desde uma abdominoplastia realizada em outubro do ano passado.
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DORES COMEÇARAM LOGO APÓS A ALTA MÉDICA
A cirurgia estética foi realizada na clínica Villa delle Querce, em Nápoles. Cinco dias depois do procedimento, a paciente recebeu alta e retornou para a casa da mãe, em Casandrino, também na região napolitana.
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Segundo relato apresentado à polícia italiana, os problemas começaram logo após a recuperação inicial. A mulher passou a sentir dores intensas no abdômen, sofreu episódios de mal-estar e chegou a desmaiar dentro de casa.
A mãe acionou o serviço de emergência, mas a paciente recusou internação depois de apresentar melhora momentânea.
MÉDICO TERIA RECOMENDADO ANTIBIÓTICOS
Ainda conforme a denúncia, o cirurgião responsável pela operação teria orientado a paciente a realizar exames clínicos e iniciar tratamento com antibióticos. Os resultados apontaram uma infecção em andamento, mas as dores persistiram durante os meses seguintes.
Mesmo buscando atendimento em mais de uma ocasião, a mulher teria ouvido que os sintomas poderiam ser considerados normais no pós-operatório de uma cirurgia desse tipo.
TOMOGRAFIA REVELOU TESOURA DE 15 CENTÍMETROS
A situação só foi esclarecida após a paciente procurar um médico na Emília-Romanha, onde reside atualmente. O profissional solicitou uma tomografia abdominal que revelou a presença da tesoura cirúrgica esquecida dentro do corpo.
Após o diagnóstico, a mulher foi internada no hospital Fatebenefratelli, em Nápoles, onde passou por uma nova cirurgia para retirada do objeto.
FILHAS RELATAM MEDO E REVOLTA
As filhas da paciente afirmaram à emissora italiana RAI que a mãe nunca voltou a se sentir bem após a abdominoplastia. Segundo Elvira, uma das filhas, a família procurou o médico diversas vezes ao longo dos meses, mas recebeu respostas tranquilizadoras sobre o quadro clínico.
Outra filha, Emilia, afirmou que o próprio cirurgião chegou a se oferecer para realizar a retirada da tesoura, mas a proposta foi recusada pelos familiares. "Depois de sete meses, finalmente respiramos aliviados. É um milagre que mamãe ainda esteja aqui conosco", declarou.
CASO SERÁ INVESTIGADO PELA JUSTIÇA ITALIANA
O cirurgião foi denunciado formalmente, e o caso agora será analisado pela Promotoria de Nápoles, que investigará possíveis responsabilidades médicas.
A defesa da paciente também questiona a atuação do centro diagnóstico. Segundo o advogado Francesco Petruzzi, o médico teria sido informado sobre o resultado da tomografia antes mesmo de a paciente receber orientação para procurar atendimento emergencial.
A mulher também buscou apoio da Fundação Domenico Caliendo, entidade italiana voltada à defesa de vítimas de erros médicos.
