A Nike vive um momento de transformação no mercado de tênis. Depois de anos dominando o segmento de colecionadores com modelos que se tornaram ícones culturais, como Air Jordan 1, Air Force 1 e Dunk, a empresa agora tenta recuperar a força no esporte e diminuir a dependência de produtos ligados apenas ao estilo de vida.
A mudança acontece em meio à perda de espaço da marca no mercado de revenda, onde os consumidores passaram a buscar novas referências. Enquanto a Nike enfrenta uma queda na procura por alguns dos modelos tradicionais, a japonesa Asics ganhou espaço com calçados voltados para corrida e com os chamados “dad sneakers”, que resgatam a estética esportiva dos anos 2000.
Conteúdos relacionados:
- Entenda por que partos são proibidos em Fernando de Noronha
- Conheça o brinquedo sexual usado em cena com Bruna Griphao e Luan Paiva
- Paraense cria barbearia nudista com cortes de até R$ 4 mil
Dados da plataforma StockX ajudam a mostrar essa mudança de cenário. De acordo com uma análise do Citi Research, a participação da Nike no volume total de vendas do site caiu de aproximadamente 77% no fim de 2023 para cerca de 70% em junho. Apesar da redução, a recuperação dos preços de modelos como Air Jordan 1 e Air Force 1 indica que o mercado passou por um ajuste após um período marcado pelo excesso de oferta.
Diante desse novo momento, a companhia busca voltar às origens. O CEO Elliott Hill, que assumiu o comando da empresa há cerca de dois anos, trabalha em uma estratégia para reposicionar a Nike como uma marca mais ligada ao desempenho esportivo. A meta é equilibrar a receita com cerca de 60% vindo de produtos voltados à performance e 40% relacionados ao segmento de estilo de vida.
Nesse cenário, a corrida se tornou uma das principais apostas da empresa nessa retomada. Nos últimos meses, a Nike registrou cinco trimestres seguidos de crescimento de dois dígitos na categoria e acrescentou cerca de US$ 1 bilhão em vendas. A marca também afirmou ter conquistado cinco pontos percentuais de participação no mercado de corrida da Europa Ocidental e da América do Norte no ano fiscal encerrado em 31 de maio.
Enquanto isso, a Asics aproveita o bom momento para aaumentar a presença no mercado. A empresa japonesa se tornou uma das preferidas entre corredores e também ganhou força no mercado de moda com os “dad sneakers”. Nos últimos três anos, as ações da marca quadruplicaram de valor, enquanto as ações da Nike tiveram queda de 62% no mesmo período.
Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!
Mesmo com sinais de recuperação, a Nike ainda enfrenta obstáculos. O enfraquecimento do segmento casual afetou os resultados da companhia, e analistas projetam mais dois trimestres de queda nas vendas em moeda constante. Por outro lado, investidores começam a enxergar possibilidade de retomada, já que o múltiplo de lucros futuros da empresa caiu para 23 vezes, cerca de 22% abaixo da média histórica, enquanto o da Asics chegou a 26 vezes.
Contudo, a perda de protagonismo dos Air Jordan entre colecionadores não representa necessariamente o fim da influência da Nike no mercado. A empresa tenta transformar essa mudança em uma oportunidade para reconstruir a identidade esportiva, enquanto a Asics busca consolidar o espaço conquistado com modelos que unem desempenho, conforto e uma estética retrô que conquistou novos consumidores.
