O "homem-peixe, que na Colômbia é chamado de "Super H", tem pendências com a justiça

O colombiano Wilber Honorio Muñoz Burbano, conhecido como “Súper H”, ganhou destaque no Brasil nas últimas semanas por causa de uma longa travessia pelos rios da Amazônia. No Pará, ele passou a ser chamado de “Homem-Peixe” e chegou a Belém depois de completar uma das etapas mais desafiadoras da expedição.

Mas, antes da repercussão provocada pela aventura esportiva, o colombiano já era personagem de um processo criminal em seu país. Wilber responde na Justiça da Colômbia por acusações relacionadas a crimes sexuais contra uma adolescente que era aluna de sua escola de formação de triatlo.

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As informações mais recentes sobre o processo foram divulgadas pelo jornal colombiano La Nación, que publicou o depoimento da mãe da jovem durante uma audiência do caso.

Segundo a acusação, os episódios teriam ocorrido quando a vítima tinha entre 13 e 14 anos. A investigação aponta que o treinador teria se aproveitado da posição de professor e da proximidade que mantinha com a família da adolescente.

Entre as acusações estão exploração sexual comercial de menor de 18 anos, acesso carnal violento agravado, ato sexual abusivo contra pessoa incapaz de resistir, ato sexual violento agravado e assédio sexual, conforme informações divulgadas pela imprensa colombiana.

O que a mãe relatou

Durante o julgamento, a mãe da adolescente contou que começou a desconfiar do comportamento do treinador depois de perceber, segundo ela, uma atitude de ciúme em relação à filha.

A suspeita aumentou quando a mulher encontrou conversas entre a adolescente e Wilber. Conforme o depoimento publicado pelo La Nación, o treinador teria escrito que a menina “seria dele” e que ela não deveria se relacionar com outros garotos.

A partir daí, a família teria questionado a adolescente sobre o que estava acontecendo. De acordo com o relato apresentado à Justiça, inicialmente a jovem não contou tudo, mas posteriormente revelou episódios que, segundo a denúncia, teriam começado durante os treinamentos.

A mãe relatou que a filha teria contado sobre tocamentos durante atividades esportivas, além de um episódio em que o treinador supostamente a teria beijado à força.

Outro episódio citado pela acusação teria ocorrido durante uma viagem a Bogotá para uma competição. Segundo o relato apresentado pela mãe, Wilber teria tentado permanecer sozinho com a adolescente e, durante o retorno da viagem, ela teria relatado novos abusos.

Ainda segundo o depoimento, o treinador também teria oferecido presentes, dinheiro e outros objetos à adolescente. A acusação sustenta que essas vantagens seriam utilizadas como forma de aproximação e para tentar obter relações sexuais com a menor.

Prisão e situação atual

Wilber chegou a ser preso em 2024, após uma investigação da Polícia e da Fiscalía colombiana. Na ocasião, um juiz determinou que ele fosse encaminhado para a prisão enquanto o processo avançava. As autoridades afirmaram que havia elementos indicando que os supostos crimes teriam ocorrido entre 2021 e 2023.

Posteriormente, ele deixou a prisão por vencimento dos prazos processuais, em abril de 2025. Mesmo em liberdade, o processo continuou e avançou para a fase de julgamento.

Em uma das audiências, Wilber não participou presencialmente. Segundo a imprensa colombiana, ele alegou dificuldades de conexão no local onde estava realizando sua expedição pela Amazônia. A defesa o representou durante a sessão.

O julgamento continua na Justiça colombiana. Portanto, as acusações apresentadas pela Fiscalía e os relatos das testemunhas ainda estão sob análise judicial, e não representam uma condenação definitiva contra o acusado.

Do processo à expedição amazônica

Enquanto responde ao processo na Colômbia, Wilber também ganhou notoriedade por desafios de natação de longa distância. Ele já havia ficado conhecido em seu país por travessias pelo rio Magdalena.

Mais recentemente, iniciou uma expedição pelos rios amazônicos, atravessando diferentes países da região. A proposta divulgada pelo atleta é chamar atenção para a preservação ambiental.

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No Pará, a aventura teve um dos momentos mais marcantes quando ele fez a travessia entre Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó, e Barcarena, nadando pela Baía do MarajóA chegada ao estado fez o colombiano ganhar o apelido de “Homem-Peixe”, que passou a ser utilizado por veículos e pelo público paraense.

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