A AfD (Alternativa para a Alemanha), partido de ultradireita, venceu pela primeira vez uma eleição estadual na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A legenda recebeu 43,8% dos votos na Saxônia-Anhalt, mais que o dobro da CDU, partido do chanceler Friedrich Merz, que ficou em segundo lugar, com 17,2%.
Apesar da vitória, a AfD não conseguiu maioria absoluta e precisará negociar com outros partidos para formar o governo regional.
O resultado representa uma quebra de tabu na política alemã, onde partidos tradicionais evitam formar alianças com a AfD. O líder da legenda no estado, Ulrich Siegmund, de 35 anos, comemorou o resultado e afirmou que o partido está disposto a conversar com outras forças políticas.
“Fizemos história neste país”, declarou Siegmund à emissora pública ARD.
Imigração e segurança
A imigração foi um dos principais temas da campanha da AfD. Siegmund defende medidas mais rígidas, como o aumento das deportações de pessoas que tiveram pedidos de asilo rejeitados e a ampliação de centros de detenção para imigrantes.
O programa do partido também propõe que requerentes de asilo sejam obrigados a trabalhar e prevê mudanças nas políticas de inclusão nas escolas.
A AfD ainda defende a redução de políticas de diversidade. Entre as propostas estão a proibição de bandeiras do arco-íris em escolas, a presença diária da bandeira alemã nas instituições de ensino e o fim de programas de promoção da democracia.
“Precisamos de uma mudança fundamental na Alemanha, com uma política que finalmente volte a se concentrar em nossos próprios interesses, em nosso próprio país”, afirmou Siegmund.
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AfD pode avançar em outras regiões
A vitória na Saxônia-Anhalt pode ser um sinal de crescimento da ultradireita em outras partes do país.
Em 20 de setembro, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental terá eleição estadual. A AfD aparece na liderança das pesquisas, com entre 35% e 37% das intenções de voto.
Na mesma data, Berlim também vai às urnas. A AfD pode aumentar sua votação em relação a 2023 e chegar a 18%. A disputa, porém, é liderada por A Esquerda e CDU, em uma campanha marcada principalmente pelo custo de vida e pela crise habitacional.
