Pesquisadores em laboratório analisando os dados obtidos no fundo do Oceano Pacífico.

Uma placa tectônica localizada sob o Oceano Pacífico, na região de Cascadia, apresenta sinais de que está se fragmentando. A conclusão foi obtida a partir de imagens e dados sísmicos analisados por pesquisadores, que identificaram falhas atravessando a estrutura da placa. Apesar da descoberta, a ruptura completa deve ocorrer em uma escala de tempo de milhões de anos.

Os dados analisados foram coletados em 2021 pelo CASIE21 (Experimento de Imagem Sísmica de Cascadia). Durante o levantamento, ondas sonoras foram direcionadas para as profundezas do oceano, enquanto equipamentos instalados em um cabo de aproximadamente 15 quilômetros registraram os ecos produzidos pelas estruturas subterrâneas.

A análise dos registros permitiu identificar diversas falhas que atravessam a placa oceânica. Em uma delas, os pesquisadores encontraram evidências de um deslocamento de aproximadamente 5 quilômetros. Os resultados também indicam que esse tipo de movimentação pode ter ocorrido em diferentes momentos.

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Outro dado chamou a atenção da equipe: um trecho de cerca de 75 quilômetros apresenta atividade sísmica, enquanto outras partes da estrutura permanecem sem registros semelhantes. Para os pesquisadores, essa diferença pode ajudar a explicar como determinados segmentos da placa estão se comportando durante o processo de fragmentação.

Segundo o estudo, partes de uma placa tectônica podem se separar em momentos diferentes. Algumas falhas permitem que blocos da crosta se movimentem lateralmente, favorecendo a divisão gradual da estrutura.

📷 Imagens sísmicas revelaram fraturas em uma placa tectônica no fundo do Pacífico, na região de Cascadia, onde o processo de ruptura pode levar milhões de anos. |Reprodução/Imagem gerada por IA

A relação entre as falhas e os terremotos também ajuda a compreender o fenômeno. Quando blocos de rocha permanecem conectados e acumulam tensão, a movimentação pode liberar energia na forma de terremotos. Já quando uma parte se separa completamente da outra, essa conexão é interrompida e a atividade sísmica associada àquela região pode diminuir ou cessar.

Fragmentação em alerta

Os pesquisadores ressaltam que esse não é um processo rápido. A fragmentação pode se desenvolver ao longo de milhões de anos e, gradualmente, modificar a estrutura responsável por manter uma placa sob outra.

O trabalho foi publicado na revista científica Science Advances. Os autores avaliam ainda que a ruptura pode provocar mudanças nas estruturas existentes abaixo das placas.

Uma das possibilidades é o surgimento de uma abertura conhecida como “janela de placa”. Por essa abertura, material quente das profundezas da Terra poderia ascender e, dependendo das condições geológicas, influenciar a atividade vulcânica da região. Os pesquisadores afirmam que o processo apresenta semelhanças com padrões observados em antigas rochas vulcânicas.

A descoberta, porém, não indica que Cascadia deixará de registrar terremotos. Como a fragmentação ocorre em uma escala de milhões de anos, os cientistas continuam investigando quais fatores podem modificar essas estruturas e como elas podem se comportar diante de futuros eventos sísmicos.

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