O papa Leão XIV manifestou, nesta segunda-feira (5), sua dor diante da violência na Faixa de Gaza após a morte de duas mulheres cristãs da comunidade local. Em uma mensagem enviada por WhatsApp ao pároco de Gaza, padre Gabriel Romanelli, o Pontífice afirmou que tem rezado pelas vítimas, por seus familiares e por toda a população da região.
“Desde que soube da dolorosa notícia das mortes de Maysa e Mary, tenho rezado a Deus por elas, por suas famílias e por toda a comunidade de Gaza. Até quando, Senhor?”, escreveu o Papa, fazendo referência ao Salmo 13, que expressa uma súplica diante do sofrimento e da espera por uma resposta divina.
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A mensagem foi divulgada pelo próprio padre Gabriel Romanelli, que permanece à frente da Paróquia da Sagrada Família, em Gaza. O sacerdote tem acompanhado a comunidade cristã local durante o conflito e mantido o trabalho pastoral em meio à escalada da violência.
Na mensagem, Leão XIV também agradeceu o trabalho desenvolvido por Romanelli e destacou o esforço do sacerdote para atender não apenas os cristãos, mas também outras pessoas que buscam sobreviver em meio à guerra.
“Obrigado pelo seu cuidado pastoral com a paróquia e com tantas pessoas que desejam viver em paz. Bênçãos e um abraço afetuoso”, afirmou o Pontífice.
Guerra mantém cristãos da Terra Santa em cenário de incerteza
A manifestação do Papa ocorre às vésperas do aniversário de 7 de outubro, em um momento ainda marcado pela destruição, pela violência e pela insegurança na Terra Santa. Na Faixa de Gaza, as ofensivas continuam, enquanto na Cisjordânia permanecem os ataques de colonos.
O conflito também provocou impactos sobre a atividade religiosa e econômica da região. As peregrinações, que representam uma importante fonte de renda para comunidades e instituições religiosas, ainda não recuperaram os níveis registrados antes da crise.
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As estruturas franciscanas destinadas ao acolhimento de peregrinos também passaram a funcionar de maneira esporádica. Para religiosos que atuam na região, no entanto, o principal impacto da guerra continua sendo o sofrimento da população.
O padre Ibrahim Faltas, frade franciscano responsável pelas escolas da Terra Santa, defendeu a necessidade de interromper o ciclo de violência e evitar novas mortes.
“É preciso acabar com essa tragédia para evitar a perda de mais vidas e para restaurar um sentido profundo a cada vida”, afirmou.
Segundo o religioso, é necessário colocar fim aos “três anos dolorosos” provocados pelo conflito, sem apagar a memória do sofrimento, mas mantendo o compromisso com a vida, a paz, a verdade e a justiça.
Homenagem a cardeal gera controvérsia na Itália
Enquanto a guerra continua, uma controvérsia envolvendo a situação no Oriente Médio também ganhou repercussão na Itália. A Escola de Estudos Avançados Sant'Anna, em Pisa, decidiu conceder um doutorado honorário ao patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa.
A homenagem foi criticada pelo movimento estudantil e acadêmico “Sant'Anna pela Palestina”, formado por estudantes e pesquisadores da instituição. O grupo questiona o contexto em que a cerimônia será realizada.
Segundo o movimento, a escolha de Pizzaballa como uma personalidade ligada ao diálogo e à busca pela paz não deveria, na avaliação dos integrantes, afastar o debate sobre as relações da própria instituição com estruturas de pesquisa e setores técnico-industriais envolvidos no desenvolvimento de tecnologias relacionadas a conflitos armados.
“Embora apreciemos a iniciativa, estamos profundamente preocupados com o contexto em que a cerimônia ocorrerá”, afirmou o grupo.
Os estudantes e pesquisadores também cobram da instituição uma reflexão sobre suas próprias contradições e sobre sua relação com setores ligados à indústria de defesa.
A manifestação ocorre em meio à continuidade da guerra e às crescentes pressões para que instituições políticas, acadêmicas e religiosas discutam seu papel diante da crise humanitária na região.
