A irmã Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante morreu neste sábado (10), aos 64 anos de idade. Ela foi uma das principais referências na defesa dos direitos humanos na Região Norte do Brasil. A informação foi divulgada pela jornalista Gabriela Florenzano por meio das redes sociais.
Em nota, o Instituto de Direitos Humanos Dom José Luis Azcona informou que a morte de Henriqueta, que era presidenta da instituição, ocorreu em um acidente de carro na BR-230, enquanto ela deslocava de Campina Grande a João Pessoa, e lamentou profundamente a perda. Ainda segundo a nota, o corpo será trasladado para Belém, onde será velado, e o sepultamento ocorrerá em Soure, no Marajó.
Reconhecida nacionalmente pela atuação no combate à violência sexual e ao tráfico de pessoas, Irmã Henriqueta estava há mais de uma década incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, devido às ameaças sofridas ao longo da trajetória dela.
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Desde 2009, ela coordenava o eixo de enfrentamento à violência sexual e ao tráfico de pessoas da Comissão Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Pará e no Amapá. Nesse período, acompanhou mais de 2.500 casos, atuando no recebimento de denúncias, encaminhamento às autoridades e acolhimento de vítimas que precisavam de proteção e apoio.
O trabalho dela teve impacto direto em políticas públicas. No mesmo ano em que assumiu a coordenação da Comissão, denúncias reunidas por ela ajudaram a desencadear a instalação da CPI da Pedofilia no Pará, que revelou redes de exploração sexual de crianças e adolescentes no estado.
Nascida em Eirunepé, no interior do Amazonas, na divisa com o Peru, Marie Henriqueta era filha de um funcionário público e de uma costureira. Criada em uma família humilde, ela valorizava a educação desde cedo e, aos 13 anos, mudou-se com os pais para Belém em busca de melhores oportunidades de estudo.
Aos 18 anos, ingressou na vida religiosa e se formou em Biologia em São Paulo. Viveu ainda um período em Milão, na Itália, aprofundando a formação religiosa, e iniciou projetos sociais voltados à proteção de crianças e adolescentes. Em 2009, retornou a Belém e se dedicou integralmente ao enfrentamento da violência sexual contra menores e ao combate ao tráfico de pessoas.
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Ela foi finalista do prêmio Inspiradoras, na categoria Conscientização e Acolhimento, e a gora deixa um legado de coragem, empatia e compromisso com os mais vulneráveis, tornando-se uma das vozes mais respeitadas na defesa dos direitos humanos na Amazônia.
