Uma escola particular localizada na Avenida João Paulo II, em Belém, é alvo de uma denúncia grave de omissão diante de um caso de abuso sexual envolvendo estudantes. A família de uma adolescente de 14 anos acusa a instituição de negligência após relatos de que um aluno de 16 anos teria tocado as partes íntimas da jovem em diversas ocasiões.
Além da suposta falta de providências contra o agressor, a escola ainda expulsou a vítima e sua irmã, após a mãe ter tido um conflito com o adolescente no último final de semana.
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Relatos de abusos em eventos da escola
De acordo com o depoimento da mãe à reportagem, o histórico dos abusos teriam começado em 2024, dentro da própria escola, quando a vítima tinha 12 anos. No mesmo ano, um segundo episódio teria ocorrido durante uma viagem da equipe de robótica, a qual eles faziam parte, para o município de Bragança, no nordeste do Pará. "Nas duas situações, ele tocou nas partes íntimas da minha filha", denuncia a responsável.
A adolescente teria sido silenciada por pressão de colegas, que argumentavam que a denúncia prejudicaria o desempenho da equipe de robótica em torneios, já que o suspeito era o operador principal do robô.
Entretanto, um terceiro abuso, com a mesma prática de toques íntimos, teria ocorrido em março de 2025. Desta vez, o caso ocorreu em Brasília, dentro do ônibus que transportava a equipe de robótica para uma competição nacional em Brasília.
Omissão e transferência estratégica
A situação veio à tona após a mãe da vítima confrontar a filha, que entrou em pânico ao ser questionada sobre a proximidade com o aluno. Ao reportar o caso à direção, a família afirma que recebeu promessas de expulsão do adolescente e assistência psicológica para a jovem.
Entretanto, a denúncia aponta que a escola não cumpriu o acordo: o aluno teria sido apenas transferido para a unidade de Ananindeua, permanecendo no quadro de estudantes da instituição. "A diretora se mostrou solidária, disse que a escola arcaria com psicólogos, mas isso não aconteceu, ela mentiu. Minha filha hoje herdou síndrome do pânico", relata a mãe.
Conflito e desligamento das irmãs
O desfecho do caso na esfera escolar ocorreu no último final de semana, em um torneio na sede campestre da instituição. Ao avistar o agressor, a adolescente teria desmaiado devido ao abalo emocional. Em reação, a mãe retirou o aluno do local pelo braço. "Num instinto materno, eu fui até ele, peguei pelo braço e o expulsei do local", disse.
A atitude da responsável resultou na expulsão da vítima e de sua irmã de 12 anos. A direção da escola teria alegado a conduta da mãe como justificativa para o desligamento das duas alunas. "A diretora da escola ao saber disso, expulsou minhas duas filhas da escola, dizendo que eu agredi o aluno”, completou.
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Investigação
A família registrou um boletim de ocorrência sobre o caso, sobretudo contra a escola. O caso será investigado pelos órgãos competentes para apurar a responsabilidade da instituição e a natureza dos atos praticados pelo aluno.
"Iremos também contratar um advogado, para que possamos receber orientação jurídica e garantir que os envolvidos sejam responsabilizados", concluiu.
Diante do caso, a coordenação da escola enviou um comunicado aos pais e alunos, em que destacou que adota medidas cabíveis sempre que uma situação demande apuração. Nesse contexto, as ocorrências são tratada com seriedade, sigilo e equilíbrio para benefício de todos.
A reportagem também entrou em contato com a escola, para que uma nota oficial fosse enviada como forma de manifestação sobre a denúncia feita mãe da aluna, mas ainda não houve retorno.
