Antes de ser apenas cenário do cotidiano apressado, Belém guarda histórias que se revelam a quem caminha com atenção, escuta e curiosidade. Foi com esse espírito que dezenas de pessoas aceitaram o convite para olhar a cidade de forma mais sensível no passeio educativo “Belém Desvendada”, realizado na manhã do último domingo (1º), em uma iniciativa gratuita promovida pelo Diário do Pará.

A atividade começou na Praça da República, um dos principais marcos históricos da capital paraense, e seguiu até o Mercado de São Brás, símbolo do patrimônio arquitetônico e cultural da cidade. Ao longo de aproximadamente 2,9 quilômetros, os participantes percorreram 23 pontos de parada que ajudam a contar diferentes fases do crescimento e das transformações urbanas de Belém.

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O trajeto incluiu trechos das avenidas Presidente Vargas, Nazaré e Magalhães Barata, regiões que concentram edificações emblemáticas e narrativas fundamentais para compreender a formação da cidade. Entre os locais observados estiveram o Cinema Olympia, o Palacete Faciola, o Largo do Redondo, a Praça Santuário, a Casa Salomão e o Parque da Residência.

Durante o percurso, temas como o antigo eixo comercial de Belém, a arquitetura do ciclo da borracha e as mudanças urbanas ao longo do século XIX foram abordados, além de aspectos ligados à identidade esportiva, ao lazer, à cultura, à memória religiosa e à vida social da elite paraense.

A condução do passeio ficou por conta do historiador Márcio Neco, que apresentou curiosidades, fatos históricos e narrativas pouco conhecidas, conectando passado e presente de forma acessível. Ele destacou a importância da participação do público no evento.

“Como toda aula e como todo evento, houve momentos muito positivos e proveitosos. Mas eu destacaria como um grande momento a interação, a participação desses convidados com o professor e com a equipe que organizava. Isso é extremamente positivo, porque em quase todos os eventos as pessoas tendem apenas a ouvir as informações, absorvê-las", disse o professor.

Neco complementou que os principais momentos foram aqueles em que espontaneamente as pessoas participaram, perguntaram e compartilharam experiências. "Muito mais do que algo monologal, um professor falando, foi ver as pessoas se sentirem à vontade, protagonistas do evento", enalteceu o historiador.

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METODOLOGIA DESPERTOU A INTERAÇÃO

Muito além de apenas apresentar os espaços, o passeio teve uma metodologia que conseguiu despertar a participação do público. "Uma sociedade participativa, em que a história seja do interesse de todos e a preservação da cultura e do patrimônio seja responsabilidade de todos", ressaltou o condutor da programação.

Márcio também fez questão de frisar a qualidade do público que acompanhou o passeio educativo. "Pessoas cheias de espírito comunitário e fraterno puderam ouvir um pouco da história de Belém. O evento transformou ruas, casarões e monumentos em materiais didáticos, proporcionando uma aprendizagem profunda e participativa", destacou.

Neco concluiu afirmando que um evento desse porte vai deixar um legado não apenas para os participantes do passeio, mas para todos que quiserem participar de futuras edições. 

"Este passeio entra para a história da cidade e tem potencial para se consolidar no calendário cultural de Belém. O Diário do Pará deu um pontapé inicial fantástico para o conhecimento da cidade, e tanto a equipe quanto os participantes estão de parabéns", finalizou o professor.

O passeio educativo “Belém Desvendada” é um desdobramento da série especial publicada pelo DIÁRIO e pelo DOL em comemoração aos 410 anos de Belém, que reuniu 10 reportagens sobre pontos simbólicos da cidade a partir do olhar de moradores e pesquisadores.

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