A divulgação do listão de aprovados da Universidade Federal do Pará (UFPA), no último dia 30 de janeiro, ganhou repercussão nacional após um vídeo de comemoração de uma das candidatas aprovadas viralizar nas redes sociais. A caloura Olivia Natalina de Farias Ferreira, que conquistou o primeiro lugar no curso de Direito, compartilhou o momento ao lado do pai, celebrando a trajetória até a universidade.
O que era para ser apenas uma comemoração se transformou em alvo de ataques virtuais. Logo após a ampla circulação do vídeo, Olivia passou a receber mensagens ofensivas, ameaças de cunho racista e até ameaças de morte.
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Nesta sexta-feira (6), a estudante publicou uma nota de repúdio em seu perfil no Instagram, na qual relata os ataques e afirma que já adotou medidas legais. “Venho por meio desta nota expressar minha indignação e repúdio às ofensas, ataques pessoais e ameaças, incluindo ameaças de morte, que surgiram após a publicação de um vídeo ao lado do meu pai, no qual compartilhei minha trajetória e a alegria da minha aprovação em primeiro lugar no curso de Direito da UFPA, através do Processo Seletivo Especial 2026 – I/Q Edital Nº 02/2025 – COPERPS, de 11 de agosto de 2025 – PSE – I/Q 2026”, declarou.
Na nota, Olivia afirma que a repercussão positiva do vídeo não justifica os ataques recebidos. “O impacto positivo que o vídeo teve em todo o Brasil não justifica a enxurrada de comentários ofensivos e preconceituosos que recebi. Embora as discordâncias sejam legitimas, ofensas, difamação, racismo e ameaças são crimes e não serão tolerados”, escreveu.
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A estudante informou ainda que registrou boletim de ocorrência e está reunindo provas para responsabilizar os autores das mensagens. “Todas as ameaças foram devidamente registradas e documentadas. Informo que um boletim de ocorrência já foi registrado, e estou reunindo todas as evidências necessárias para buscar meus direitos, utilizando os meios cabíveis. Se as agressões persistirem, não hesitarei em entrar com processo judicial contra os responsáveis”, afirmou.
Olivia também destacou sua identidade e trajetória como jovem quilombola. “Como jovem quilombola e filha de trabalhadores, sou fruto da luta e resistência do meu povo. O espaço que hoje ocupo não é um favor, mas um direito conquistado. Não me calarei diante do racismo, da violência, e das tentativas de silenciamento. Seguiremos ocupando, resistindo e avançando”, concluiu.
Após a repercussão do caso, órgãos estudantis da própria UFPA também se manifestaram publicamente em solidariedade à estudante, repudiando as ameaças e reforçando o compromisso institucional com o combate ao racismo e à violência.
