Quando o batuque ecoa pelas ruas de chão batido e a fantasia brota da criatividade popular, o Carnaval deixa de ser apenas festa e se torna memória viva. Em alguns cantos do Pará, a folia não termina na quarta-feira de cinzas. Ela atravessa gerações, atravessa séculos e desce a serra ao som dos tambores.
É assim em Fernandes Belo, distrito de Viseu, no nordeste paraense, onde uma tradição centenária movimenta o Carnaval 2026 com uma mistura singular de teatro de rua, lenda popular e arrastão carnavalesco. As manifestações dos foliões do bloco "Laurso" acontecem desde janeiro de 1913, e foram criadas por Manoel Francisco da Silva, numa forma de aliar a folia do Carnaval com a preocupação da preservação dos animais.
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Trata-se de um verdadeiro espetáculo teatral, à céu aberto, com muita alegria e diversão, por sua excentricidade - peculiaridade que arrasta multidões -, há mais de cem anos, o "Laurso" se consolidou como uma imensa brincadeira que mistura teatro de rua e carnaval, com fantasias únicas no mundo inteiro.
A LENDA NA ORIGEM DO BLOCO
A centenária lenda do Laurso, conta que os animais, cansados da monotonia silenciosa da floresta da Serra do Piriá, ao ouvir o batuque do carnaval, desceram a serra e se misturaram aos humanos na folia.
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Coordenado pelos veteranos do Carnaval, Manoel Santana (Ferro Velho), Benedito Marques Pereira (Caradura) e Raimundo Assunção Alves (Dico), o bloco Laurso reúne centenas de foliões vestidos com fantasias improvisadas com sacos e máscaras. As vestimentas são de bichos como cavalo, boi, coelho, urso, etc...cada um deles com seu "caçador", que são os principais responsáveis por essa turma toda que sai com eles nas ruas, brincando a folia carnavalesca.
OS "ESQUENTAS" PREPARAM A FESTA
As apresentações tiveram início com os chamados "esquentas" durante os finais de semana que antedeceram o feriadão e prosseguem até a terça-feira de Carnaval. O evento tem o apoio da lei Aldir Blanc e os arrastões, a cada ano, ganham mais e mais participantes, até de outros municípios vizinhos e de Belém, atraídos pelas encenações da cultura local.
De acordo com o secretário de cultura do município, Adenilton Monteiro, cerca de 40 mil brincantes são esperados para este ano. "O evento é gratuito e resgata curiosidades do século XIX e a chegada dos nordestinos na comunidade de Fernandes Belo, a cerca de 40 km do centro da cidade", explica.
SOBRE O BLOCO "LAURSO"
O nome "Laurso" que dá origem ao festejo, significa urso de Carnaval e faz referência à uma antiga lenda conhecida no município, que diz que os animais saíam da floresta para pular Carnaval seguindo o som dos tambores dos foliões.
Segundo a lenda, os animais ficaram cansados da vida silenciosa e monótona da floresta e saíram em direção aos barulhos intensos de tambor, descendo a Serra do Piriá. Depois, os bichos se misturaram aos foliões e aproveitaram a festa que era ouvida no meio da mata. "É assim que os foliões, caracterizados de Laurso saem pelas ruas arrastando amantes e simpatizantes da festa em nosso município", diz Adenilton.
FANTASIAS PRODUZIDAS PELOS BRINCANTES
Outra curiosidade, é que as fantasias utilizadas no cortejo são confeccionadas pelos próprios brincantes, usando sua criatividade e as plantas nativas da região para finalizar as vestimentas. "O bloco Laurso tem atravessado gerações há mais de um século de existência e uma de suas características marcantes é criar entre seus simpatizantes um ato de sociabilidade, criatividade, alegria, lenda, história e humor", ressalta o secretário.
Para 2026, as atrações do La Urso são: L Magalhães - o maior paredão do norte do país, Dj's da região e Dj Tom Mix (domingo) e J Som - A Fênix do Marajó (segunda e terça-feira), além dos sons automotivos que iniciam neste sábado (14).
SERVICO:
- Arrastão: domingo (15) e terça-feira (17)
- Sons automitivos: sábado (14) e segunda-feira (16)
- Concentração e saída sempre às 14h
- Participação Gratuita
