A Universidade Federal do Pará concedeu sua mais alta honraria acadêmica a duas personalidades de destaque nacional. O Conselho Universitário aprovou os títulos de Doutor Honoris Causa para a ativista Raimunda Nilma de Melo Bentes e o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.
O Conselho Universitário da UFPA decidiu pela homenagem em decisão ocorrida em uma única sessão e contemplou perfis distintos, mas unidos pelo compromisso com a defesa de direitos e o fortalecimento democrático.
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A ativista paraense Raimunda Nilma de Melo Bentes e o ministro do STF Flávio Dino receberam a aprovação para a honraria máxima da instituição de educação.
As cerimônias de entrega dos títulos terão datas divulgadas em momento posterior pela administração da universidade.
Quatro décadas de luta antirracista
A indicação de Nilma Bentes partiu da Clínica de Atenção à Violência e do Projeto Redes Antirracistas, ligados ao Instituto de Ciências Jurídicas da UFPA. A proposta teve apoio da Universidade de Brasília e do Ministério da Educação.
A ativista dedica mais de 40 anos à defesa dos direitos humanos e ao combate do racismo estrutural. Sua atuação concentra-se na proteção de comunidades negras e quilombolas da Amazônia.
Ela fundou o Centro de Defesa e Estudos do Negro do Pará, instituição referência na região. Nilma Bentes teve papel importante em momentos históricos do Brasil:
- Participou ativamente do processo de redemocratização do país;
- Contribuiu nos debates que resultaram na Constituição de 1988;
- Ajudou a criar políticas públicas de equidade racial e justiça social;
- Idealizou a Marcha das Mulheres Negras de 2015, que reuniu mais de 50 mil pessoas em Brasília;
Produção intelectual e militância
O parecer que fundamentou a aprovação destaca a produção acadêmica da ativista. Seus trabalhos abordam temas como racismo, negritude, ecologia e questões amazônicas.
A atuação de Nilma Bentes conecta justiça racial, de gênero, social e ambiental em âmbito nacional e internacional.
Sua trajetória representa a interseção entre movimentos sociais e produção de conhecimento. A ativista construiu uma agenda que dialoga com diferentes frentes de luta por direitos.
Carreira nos três poderes
O Programa de Pós-Graduação em Direito e Desenvolvimento na Amazônia apresentou a proposta de homenagem a Flávio Dino. O Instituto de Ciências Jurídicas da UFPA analisou e aprovou a indicação antes de levá-la ao Conselho Universitário.
O ministro do STF possui formação em Direito pela Universidade Federal do Maranhão. Sua carreira profissional inclui passagens pelos três poderes da República:
- Atuou como juiz federal por 12 anos;
- Presidiu a Associação dos Juízes Federais do Brasil;
- Foi secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça;
- Exerceu mandato de deputado federal;
- Governou o Maranhão em dois mandatos consecutivos;
- Ocupou cadeira de senador da República;
- Comandou o Ministério da Justiça e Segurança Pública;
- Tomou posse como ministro do STF em fevereiro de 2025.
Temas amazônicos em destaque
O parecer aprovado ressalta a dedicação de Flávio Dino a questões relevantes para a Amazônia. O ministro trabalhou em temas ambientais e fundiários que impactam diretamente a região.
Sua atuação também enfatiza a defesa do Estado Democrático de Direito e da justiça social.
A escolha dos homenageados reflete o compromisso da UFPA com diferentes formas de construção de conhecimento. O reitor Gilmar Pereira da Silva comentou a decisão após a aprovação.
"A universidade se fortalece quando dialoga com diferentes experiências de produção de conhecimento e de atuação pública. São trajetórias distintas, mas que se encontram no compromisso com a democracia, com os direitos humanos e com a realidade amazônica", afirmou o reitor.
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As honrarias reconhecem contribuições significativas para a sociedade brasileira. Os títulos celebram o trabalho de quem dedicou carreiras à defesa de direitos e ao fortalecimento institucional do país.
