Em ambientes onde o tempo costuma ser medido por batimentos cardíacos e pela expectativa de notícias médicas, qualquer pausa que resgate o fôlego emocional ganha valor simbólico. Entre corredores marcados pela pressa silenciosa e pela vigilância constante, pequenos gestos de cuidado podem romper a dureza da rotina hospitalar e devolver, ainda que por instantes, a sensação de normalidade e pertencimento.

Foi nesse cenário que o som de marchinhas de Carnaval e o convite ao movimento surpreenderam acompanhantes de pacientes no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua, na manhã desta terça-feira (17). A unidade promoveu o "Bloquinho da Reabilitação", uma ação pensada para oferecer acolhimento físico e emocional a quem enfrenta longos períodos ao lado de familiares internados.

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A iniciativa faz parte do projeto "Acompanhante em Movimento", que busca minimizar os impactos do desgaste físico e psicológico enfrentado por essas pessoas. A proposta inclui exercícios leves, orientações posturais e momentos de convivência coletiva, criando oportunidades de cuidado para quem, muitas vezes, coloca as próprias necessidades em segundo plano.

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Inspirada no clima carnavalesco, a atividade combinou alongamentos, exercícios de mobilidade e música, criando um ambiente mais leve e receptivo dentro do hospital. A ideia foi transformar, ainda que temporariamente, o peso da espera em um momento de respiro e renovação.

📷 Com música e movimentos orientados, acompanhantes de pacientes entram no clima do “Bloquinho da Reabilitação”, iniciativa que promove acolhimento e bem-estar no ambiente hospitalar. |Divulgação

BENEFÍCIOS ALÉM DO CORPO

Moradora da cidade, Raiane Martins, de 29 anos, acompanha o tio internado após um acidente de moto e participou da programação. Para ela, a experiência trouxe benefícios que vão além do corpo. "A gente acaba ficando esgotada emocionalmente. Mesmo não sendo o paciente, o cansaço chega. Esse projeto ajuda muito, porque o movimento faz bem para a saúde e também para a mente", afirmou.

A percepção foi semelhante à de José Silva, que veio de Garrafão do Norte para acompanhar o irmão. "Me senti mais leve e animado. Foi algo simples, mas que fez muita diferença no meu dia", relatou.

REDUÇÃO DO ESTRESSE

De acordo com a fisioterapeuta Vitória Sena, o impacto dessas ações é significativo. "O acompanhante também enfrenta sobrecarga. Quando oferecemos esse tipo de atividade, conseguimos reduzir o estresse, melhorar a disposição e fortalecer o emocional, o que também contribui no apoio ao paciente”, explicou.

Durante a programação, profissionais de fisioterapia e terapia ocupacional conduziram as atividades, incentivando a participação espontânea. Entre passos tímidos e sorrisos discretos, o bloquinho mostrou que, mesmo em meio à dor e à incerteza, o cuidado pode encontrar formas criativas de se manifestar.

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