A força da natureza voltou a impor um cenário de dor e destruição em cidades de Minas Gerais. Após dias de chuva intensa e acumulados muito acima da média histórica, moradores enfrentam perdas humanas, deslizamentos e milhares de pessoas fora de casa.

O número de mortos em decorrência das fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e Ubá chegou a 62 na noite desta quinta-feira (26). São 56 vítimas em Juiz de Fora e seis em Ubá, conforme boletim divulgado às 22h31 pelas prefeituras e pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. A corporação chegou a informar 64 mortes, mas revisou o número após rechecagem.

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Ao menos nove pessoas estão desaparecidas, sete em Juiz de Fora e duas em Ubá. Segundo os bombeiros, 239 pessoas foram resgatadas com vida nos dois municípios, e 83 chamados para soterramentos foram atendidos. Em Juiz de Fora, 21 pacientes seguem internados, e 44 atendimentos foram realizados desde segunda-feira nas unidades de saúde. Até as 17h, 50 corpos já haviam sido identificados e liberados às famílias na cidade. Em Ubá, as seis vítimas também foram identificadas pela perícia da Polícia Civil de Minas Gerais.

O total de desalojados chega a 5.510 pessoas nas cidades de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa. Desse número, 3.500 estão em Juiz de Fora, 1.200 em Ubá e 810 em Matias Barbosa, segundo atualização dos bombeiros.

Novos deslizamentos foram registrados durante a tarde. Pelo menos três casas desmoronaram em Juiz de Fora, conforme informações divulgadas pela GloboNews. Durante a madrugada, a prefeitura informou o desabamento de edificações na Rua Doutor Augusto Eckman, no bairro Jardim Natal. À noite, outro desmoronamento foi registrado na Rua Tabajara, no bairro Guaruá. Até o momento, não há confirmação de novas vítimas nesses casos.

O volume de chuva acumulado em fevereiro em Juiz de Fora chegou a 733 milímetros — quatro vezes acima da média esperada para o mês, segundo a Defesa Civil. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alertou para a possibilidade de novas enxurradas, alagamentos e inundações, destacando que o sistema de drenagem urbana já opera em condições críticas.

A previsão indica chuvas moderadas a fortes nos próximos dias, com acumulados entre 40 e 60 milímetros, impulsionados por uma área de baixa pressão próxima ao litoral. As regiões metropolitana de Belo Horizonte, central mineira, norte e noroeste do estado também estão em alerta.

A Defesa Civil estadual e o Corpo de Bombeiros reforçam o pedido para que moradores deixem imediatamente áreas de risco. Segundo as autoridades, há relatos de pessoas que retornaram às casas mesmo após orientação para evacuação. O surgimento de trincas em paredes, portas e janelas emperradas são sinais de alerta. “Priorizem suas vidas”, destacaram os órgãos de emergência.

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