Com a chegada do período mais chuvoso em Belém e em outras regiões do Pará, é comum o aumento na presença de mosquitos dentro e fora de casa. Além do incômodo, esses insetos também acendem um alerta para a saúde, já que podem transmitir doenças e afetar a qualidade de vida da população.
Você conhece alguém que parece receber muito mais picadas de mosquitos do que aqueles ao seu redor? Muitas pessoas relatam atrair mais pernilongos e mosquitos do que outras. Na linguagem popular, essa situação é chamada de “sangue doce”. Mas será que essa máxima popular tem respaldo científico? Algumas pessoas realmente são mais propensas a sofrer picadas?
A professora do IDOMED e especialista em Hematologia Clínica, Rayssa Castro, afirma que “sangue doce” é apenas uma expressão popular e não encontra fundamento na ciência. “O mosquito não escolhe a vítima pelo sabor do sangue, até porque não tem como avaliar isso antes da picada. Também não há evidências consistentes de que níveis elevados de glicose no sangue tornem alguém mais atrativo para esses insetos. Portanto, a ideia de ‘sangue mais doce’ é considerada um mito”, explica a especialista.
Rayssa pontua, no entanto, que alguns fatores podem tornar uma pessoa mais propensa a ser alvo de picadas.
Conteúdos relacionados:
- Novo imunizante contra VSR chega aos 144 municípios do Pará
- Belém amplia combate à dengue com 5 mil armadilhas de mosquito
Temperatura corporal, liberação de suor, prática recente de exercícios físicos e até o uso de roupas escuras, que retêm mais calor, estão entre os fatores que, no dia a dia, podem funcionar como atrativo para os mosquitos e pernilongos.
A professora do IDOMED explica que fatores biológicos e comportamentais também exercem grande influência. “Um dos principais é a quantidade de dióxido de carbono que a pessoa exala, e isso vem naturalmente da nossa atividade celular. Adultos, gestantes e indivíduos com maior massa corporal, produzem mais dióxido de carbono e, assim, tendem a atrair mais mosquitos”, detalha Rayssa.
Outro aspecto relevante é o odor corporal, que está diretamente ligado à microbiota da pele, ou seja, aos microrganismos que vivem naturalmente em nossa superfície cutânea. Essas bactérias produzem substâncias voláteis que funcionam como verdadeiros ‘atrativos químicos’ para os mosquitos. Por características individuais da pele, algumas pessoas acabam sendo naturalmente mais chamativas para esses insetos. Há ainda estudos que sugerem que indivíduos com sangue do tipo O podem ser ligeiramente mais atrativos para determinadas espécies de mosquitos, embora esse fator tenha um impacto menor quando comparado aos demais.
Quer saber mais notícias de saúde? Acesse nosso canal no Whatsapp
O que fazer para evitar as picadas?
Do ponto de vista médico e farmacêutico, a especialista reforça que a medida mais eficaz continua sendo o uso correto de repelentes, especialmente em áreas com maior presença de insetos. Produtos que contenham substâncias como icaridina, DEET ou IR3535 apresentam forte evidência científica de proteção, desde que aplicados corretamente e reaplicados conforme o tempo indicado pelo fabricante.
“Além disso, medidas ambientais são fundamentais, como eliminar focos de água parada, utilizar telas e mosquiteiros e, sempre que possível, recorrer a ventiladores, que dificultam o voo do mosquito. Também orientamos cuidados comportamentais simples, como optar por roupas claras, evitar exposição nos horários de maior atividade dos insetos e higienizar a pele após suor intenso”, conclui a docente.
