Um caso chamou a atenção em Belém após um boto-cor-de-rosa ser encontrado em um canal da União, na esquina da Travessa Mauriti, nas proximidades da Avenida Perimetral, no bairro do Marco.

Moradores acionaram as autoridades, que realizaram o resgate do animal. Dois dias após o registro, a principal questão levantada é como o boto chegou ao local.

A principal hipótese é que o deslocamento tenha ocorrido devido à combinação de chuvas intensas e maré alta na capital paraense, o que pode ter provocado desorientação no animal e facilitado sua entrada em áreas urbanas.

📷 O boto foi encontrado dentro um canal, em Belém |Irena Almeida/Diário do Pará

O Instituto BioMA (Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos na Amazônia) informou que foi acionado no dia 17 de março de 2026 para resgatar o animal, do gênero Inia. A operação contou com apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

Após o resgate, o boto foi encaminhado para atendimento inicial no centro ligado ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Norte, vinculado ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), onde exames identificaram tratar-se de uma fêmea adulta, não gestante. Em seguida, o animal foi transferido para o Centro de Triagem de Animais Silvestres, em Benevides, onde permanece sob monitoramento.

Em entrevista ao DOL, a bióloga Renata Emin, PhD e pesquisadora especializada na conservação de mamíferos aquáticos na Amazônia, além de presidente do Instituto Bicho D’água, explicou possíveis motivos para o aparecimento do animal em área urbana. Segundo ela, a presença de botos na região não é incomum.

“Botos são comuns na zona costeira de Belém. Com um pouco de atenção podemos ver botos em frente à UFPA, na Casa das 11 Janelas, ou seja, sempre estiveram nessa área”.

📷 Canal onde o boto foi ecnontrado |Divulgação

Sobre o comportamento da espécie, a pesquisadora destacou que os animais podem se deslocar para além de suas áreas habituais.

“Botos são naturalmente curiosos, e podem se aventurar em rios e igarapés longe da sua área habitual”.

A especialista também apontou fatores ambientais que podem influenciar esse tipo de ocorrência.

“As chuvas muito intensas e o aumento do nível dos rios podem ter contribuído para uma desorientação deste boto. Casos assim são frequentemente reportados em várias espécies de cetáceos, como baleias entrando no rio Hudson, em Nova York, e no Tâmisa, em Londres. Lembrando sempre que modificamos muito os habitats naturais dos botos, fazendo com que hoje eles transitem por regiões que estão muito alteradas.”

📷 Renata Emin explicou que o animal pode ter ficado desorientado após a combinação de fortes chuvas com o período de maré alta |Divulgação

Em nota, a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) informou os procedimentos adotados e o local onde o boto se encontra em recuperação.

Leia na íntegra

O Instituto BioMA – Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos na Amazônia, com projetos de pesquisas vinculados ao Laboratório de Fisiologia Animal do Instituto da Saúde e Produção Animal da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ispa/Ufra) informa que, no dia 17/03/2026, sua equipe foi acionada para o resgate de um boto do gênero Inia, nas proximidades da universidade.

A operação de resgate contou com o apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, possibilitando a retirada segura do animal do local. Após o resgate, o boto foi encaminhado à sede do Instituto BioMA, sediado junto ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Norte (Ccepnor/ICMBio), onde recebeu os primeiros atendimentos clínicos.

Durante a avaliação inicial, foram realizados procedimentos de biometria, coleta de sangue para exames laboratoriais e exame ultrassonográfico. Constatou-se que o animal se trata de uma fêmea adulta, não gestante. Posteriormente, o animal foi transferido para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas/Ibama), localizado no município de Benevides/PA, em veículo do Instituto BioMA.

Atualmente, encontra-se sob os cuidados da equipe técnica composta por médicos veterinários e biólogos daquele órgão, onde segue em monitoramento e tratamento.

O Instituto BioMA reforça seu compromisso com a conservação e o bem-estar dos mamíferos aquáticos da Amazônia, atuando de forma integrada com instituições parceiras para a proteção da fauna silvestre.

MAIS ACESSADAS