O sonho americano ganhou sotaque paraense e sabor de açaí. Com um saldo comercial histórico de US$ 21,49 bilhões em 2025, o Pará consolida sua posição como gigante exportador, mas um novo movimento chama a atenção: o avanço de empreendedores locais que estão trocando as fronteiras do estado pelo competitivo mercado dos Estados Unidos.

De polpas de frutas em Miami a franquias no Brooklyn, o caminho para o sucesso internacional exige mais do que coragem; requer estratégia fiscal. É o que afirma Claudemir Ramos, Diretor da CR Accounting & Consulting, especialista que se tornou a ponte para paraenses que desejam dolarizar seus negócios.

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Os números impressionam: os EUA absorveram mais de US$ 1 bilhão das exportações paraenses em 2025. O açaí é o grande protagonista dessa história. "O paraense tem um produto que o mundo deseja. Mas para ter sucesso aqui, não basta exportar, é preciso estruturar", explica Claudemir.

Junior Dantas, analista de exportação, confirma a força desse mercado: 70% das vendas de sua indústria hoje vão para solo americano. "É o nosso principal importador, mas as exigências do FDA (Food and Drug Administration) são rigorosas", alerta.

QUANTO CUSTA O SONHO AMERICANO?

Para o público do Pará que planeja investir, a dúvida principal é o custo. Segundo o Diretor da CR Accounting & Consulting, a formalização básica na Flórida flutua entre US$ 600 e US$ 3.000. No entanto, para uma operação saudável no primeiro ano, o investimento recomendado é maior.

"Para não passar aperto e chegar ao ponto de maturação, o ideal é prever entre US$ 10 mil e US$ 15 mil nos primeiros 12 meses. Isso cobre desde a contabilidade especializada até o marketing inicial", detalha Claudemir Ramos.

ERROS FATAIS E O "CAMINHO DAS PEDRAS"

Muitos paraenses acreditam que abrir uma empresa garante o visto, um erro comum que Claudemir faz questão de desmistificar. "A empresa é um veículo de investimento e proteção patrimonial. Ela pode auxiliar em caminhos imigratórios, como o visto L1 para diretores, mas são processos distintos que exigem acompanhamento profissional", pontua o contador.

Outro ponto de destaque é o sistema tributário. Diferente do Brasil, nos EUA tributa-se o lucro líquido. "Se não teve lucro, não paga imposto. Isso é um fôlego enorme para quem está começando", diz o especialista da CR.

HISTÓRIAS DE SUCESSO: DO PARÁ AO BROOKLIN

A empresária Valéria Azevedo é prova da resiliência paraense. Ela apostou no setor pet em Nova York através de uma franquia. "Optei por um modelo validado para mitigar riscos culturais", conta. Hoje, ela já planeja expandir seus investimentos para o setor imobiliário e ecoturismo, provando que o talento do Pará é versátil.

Dicas para o empreendedor paraense:

  • Contrate Consultoria: Não tente entender o sistema americano sozinho.
  • Foque no Online: Comece vendendo pela internet antes de assumir o custo de um ponto físico.
  • Certificações: Garanta que seu produto (açaí, castanha, óleos) tenha todos os selos sanitários exigidos.

Para quem busca expandir os horizontes, o recado de Claudemir Ramos é claro: o mercado americano valoriza a sustentabilidade da Amazônia, mas não perdoa a falta de conformidade fiscal.

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