A cada edição da Copa do Mundo, o Brasil costuma se transformar em um grande palco de celebração popular. Bandeiras, pinturas em ruas e fachadas decoradas durante décadas ajudaram a construir uma das imagens mais marcantes do torneio no país. Nos últimos anos, porém, muitos brasileiros têm percebido que essa tradição já não possui a mesma força observada em Copas passadas.

Apesar dessa redução na mobilização coletiva, iniciativas pontuais mostram que o costume ainda resiste. Recentemente, a influenciadora digital Pamela Cruz viralizou nas redes sociais ao compartilhar vídeos de um mutirão organizado por moradores para decorar uma rua inteira em clima de Copa do Mundo. As imagens mostram vizinhos reunidos - em sua grande maioria crianças - pintando o asfalto com desenhos, cores e símbolos ligados ao futebol, despertando nostalgia e admiração entre os internautas.

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TRANSFORMAÇÕES NAS CIDADES

Para o professor de história Michel Pinho, observador atento da cultura belenense, uma das principais explicações para a diminuição das ruas decoradas está nas profundas mudanças urbanas ocorridas nas últimas décadas.

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Segundo ele, o processo de verticalização das cidades alterou as formas de convivência entre os moradores. "As cidades mudaram muito nos últimos 40 anos. Um dado importante desse processo é a verticalização, o que impede essa socialização que a gente percebia em relação à pintura das ruas e às brincadeiras coletivas", afirma.

Na avaliação do historiador, a própria configuração dos espaços urbanos contribuiu para reduzir atividades comunitárias que antes eram comuns durante os períodos de Copa do Mundo.

A INFLUÊNCIA DAS NOVAS FOMAS DE COMUNICAÇÃO

Michel Pinho também destaca que a maneira de acompanhar a competição mudou significativamente. Se nas décadas de 1970 e 1980 a televisão era praticamente a única janela para o evento, atualmente o consumo de conteúdo esportivo ocorre por meio de diversas plataformas digitais. "A comunicação em relação à Copa do Mundo mudou muito. Na década de 70 e 80 você só tinha a televisão como forma de comunicar. Hoje, as relações com símbolos sociais, inclusive os símbolos pátrios, são bastante diferentes", observa.

O professor ressalta ainda que nem todos mantêm atualmente a mesma identificação com a Seleção Brasileira e com os símbolos nacionais que marcaram gerações anteriores.

NOVAS FORMAS DE VIVER A COPA

Embora reconheça um certo esfriamento do entusiasmo coletivo em comparação com décadas passadas, Michel Pinho acredita que a paixão pelo futebol não desapareceu. Para ele, as formas de participação simplesmente se transformaram. "Acho que existe um desinteresse em relação à Copa do Mundo, mas também as formas de se relacionar com esse evento esportivo mudaram", explica.

Como exemplo, ele cita fenômenos que continuam mobilizando milhões de pessoas, como a troca de figurinhas dos álbuns oficiais da competição e as interações nas redes sociais. 

VÍDEO DESPERTA NOSTALGIA ENTRE INTERNAUTAS

Nesse sentido, o conteúdo publicado por Pamela Cruz repercutiu justamente por resgatar uma tradição que muitos brasileiros associam às memórias da infância e da convivência comunitária durante as Copas. Nos comentários, centenas de seguidores celebraram a iniciativa. "Eu tô achando um máximo essa geração descobrindo as melhores tradições da Copa Mundial da nossa geração", escreveu uma internauta.

A emoção também marcou as reações do público. "Eu chorei tanto com esse final, vocês não têm noção. Mas não vamos deitar!", comentou uma seguidora. Já outra lamentou o desfecho do vídeo: "Não acredito nesse final, estava tão lindo". A publicação também despertou esperança entre os torcedores mais otimistas. "Mas eles são brasileiros e não vão deitar... agora o hexa vem!", escreveu um usuário.

Entre os relatos mais compartilhados esteve o de uma internauta que associou o vídeo às próprias lembranças de juventude. "Poxa, chuva! E olha que estou totalmente avessa a essa Copa, mas foi muito nostálgico assistir a esse vídeo. Aqui na Cidade Nova fazíamos muito isso. Virávamos a noite cortando bandeirinhas e pintando a rua. Bons tempos", recordou.

VEJA O VÍDEO:

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