O Pará deve começar a receber, a partir desta terça-feira (3), a nova vacina pneumocócica 20-valente, imunizante mais abrangente que passa a integrar a rede pública de saúde em substituição à versão 10-valente. A previsão foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará, que informou o início da distribuição da dose para atualização do calendário vacinal infantil.

Neste primeiro momento, segundo a pasta, o público-alvo será formado por crianças menores de 2 anos, que poderão receber a vacina para atualização ou complementação do esquema vacinal primário.

CONTEÚDOS RELACIONADOS

A mudança acompanha a estratégia nacional do Ministério da Saúde, que iniciou neste mês a substituição gradual da vacina pneumocócica conjugada 10-valente pela versão 20-valente no Sistema Único de Saúde.

Introdução do imunizante

A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) passará a disponibilizar uma versão mais ampla da vacina contra a doença pneumocócica. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), também chamada de Pneumo 20, substituirá a atual 10-valente, ampliando a proteção ao dobrar o número de sorotipos da bactéria prevenidos.

O Ministério da Saúde publicou na quarta-feira (27/05) um guia técnico preliminar com orientações aos profissionais de saúde sobre a transição. A aplicação nos municípios poderá começar assim que as doses forem distribuídas.

A doença pneumocócica é provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo, e pode causar desde infecções leves, como otite e sinusite, até quadros graves, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.

De acordo com estimativas, o pneumococo está relacionado a até metade dos casos de meningite bacteriana em crianças, com taxa de mortalidade em torno de 30%. Além do público infantil, idosos e pessoas com comorbidades ou baixa imunidade estão entre os grupos mais vulneráveis.

A vacinação com a versão 10-valente foi incorporada ao calendário infantil em 2010 e trouxe resultados expressivos. Desde então, houve redução de 60% nos casos de doença pneumocócica invasiva entre crianças de até dois anos causados pelos sorotipos cobertos pela vacina. Os registros de meningite pneumocócica nessa faixa etária também recuaram 65%.

Quer saber mais notícias sobre saúde? Acesse nosso canal no Whatsapp

Apesar disso, os números voltaram a crescer nos últimos anos. Entre 2013 e 2019, o país registrou média anual de 164 casos de meningite pneumocócica em crianças menores de cinco anos. Já entre 2022 e 2024, esse índice subiu para 211,3 ocorrências por ano.

Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, esse aumento está ligado a uma mudança no perfil epidemiológico da bactéria.

"A introdução da vacina 10-valente foi excelente na redução desses dez tipos, o que representou uma queda importante nas doenças graves. Mas o pneumococo tem uma característica que a gente chama de "replacement": você controlando um tipo, reduzindo a circulação, outro tipo pode começar a ganhar o espaço."

Dados da vigilância do Ministério da Saúde apontam que quase 40% dos casos graves registrados entre 2018 e 2023 foram causados por apenas dois sorotipos não contemplados pela VPC10, mas incluídos na nova formulação.

Nos menores de um ano, cerca de 11% dos casos de meningite pneumocócica são provocados por sorotipos adicionais cobertos pela vacina 20-valente, o que pode contribuir para uma nova redução na curva de incidência da doença.

Além da proteção individual, as vacinas pneumocócicas conjugadas também reduzem a circulação da bactéria na nasofaringe, ajudando a diminuir a transmissão e oferecendo proteção indireta a pessoas não vacinadas.

Atualmente, o Programa Nacional de Imunizações já disponibiliza vacinas mais abrangentes, como a VPC13 e a VPP23, para grupos específicos com maior risco de desenvolver formas graves da doença. Esses imunizantes também serão gradualmente substituídos pela VPC20 após o término dos estoques.

Entre os grupos prioritários estão pessoas com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados, imunodeficientes, portadores de doenças crônicas, asmáticos graves, diabéticos, pessoas com síndrome de Down e prematuros.

O esquema vacinal infantil segue com duas doses, aplicadas aos 2 e 4 meses de idade, além de reforço aos 12 meses. Crianças menores de cinco anos com esquema incompleto devem atualizar a vacinação o quanto antes.

Durante a fase de transição, o esquema poderá combinar doses da VPC10 e da VPC20, conforme a etapa da imunização já realizada.

A vacina é contraindicada apenas para pessoas com histórico de reação alérgica grave a componentes da fórmula ou a aplicações anteriores. Em casos de febre, a recomendação é aguardar a melhora clínica antes da imunização.

MAIS ACESSADAS