O Ministério Público do Pará (MPPA) e o Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCMPA) investigam uma nova contratação feita na gestão do ex-prefeito de Ananindeua, Daniel Santos. O caso envolve um contrato de cerca de R$ 5 milhões firmado com uma choperia para fornecimento de refeições e lanches à rede municipal de saúde, incluindo hospitais, UPAs e demais unidades de atendimento.

A denúncia foi protocolada pelo advogado Giussepp Mendes, que apontou possíveis irregularidades no processo licitatório, além de indícios de superfaturamento e dúvidas sobre a capacidade técnica e estrutural da empresa vencedora para executar o serviço contratado.

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Realizada no ano passado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a licitação teve como vencedora a Vero-Chopp Choperia Ltda, que acabou como única habilitada após a desclassificação das demais concorrentes. O contrato prevê o fornecimento, ao longo de um ano, de 203.760 refeições, 40.320 lanches, 367.560 copos de água mineral, 89.580 refrigerantes e sucos, além de coffee breaks para até duas mil pessoas.

Os alimentos seriam destinados a quatro UPAs, Cidade Nova, Marighella, Distrito e Icuí, além do Pronto Socorro Municipal, Maternidade Municipal, SAMU e CAPS 1 e 3. Contudo, segundo a denúncia, a dimensão do contrato levanta questionamentos sobre a capacidade operacional da empresa para atender simultaneamente todas as unidades da rede municipal de saúde.

Isso porque, de acordo com a investigação, a Vero-Chopp é conhecida em Belém e Ananindeua principalmente pela atuação como choperia, sem histórico comprovado de fornecimento de refeições em larga escala. Nos estabelecimentos da empresa, localizados na Cidade Nova e em shoppings da região, não haveria estrutura visível compatível com a produção diária de milhares de marmitas.

De acordo com a análise da atividade econômica registrada na Receita Federal, a empresa atua no ramo de “bares e outros estabelecimentos especializados em servir bebidas, sem entretenimento”, com atividades secundárias também ligadas a restaurantes e lanchonetes. Além disso, o balanço contábil apresentado na licitação aponta que a empresa possuía menos de R$ 70 mil em máquinas, equipamentos e veículos, o que, segundo a denúncia, reforça dúvidas sobre sua capacidade logística.

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Outro ponto levantado diz respeito aos valores contratados. Cada refeição ficou no valor de R$ 20,00, enquanto os lanches custam R$ 8,00. Contudo, o advogado aponta que, em tese, licitações públicas deveriam reduzir custos devido ao volume contratado, o que não teria ocorrido neste caso. Ele também cita comparações com restaurantes da região, onde refeições completas chegam a custar valores iguais ou até inferiores aos do contrato público.

Segundo o Portal da Transparência, até abril deste ano mais de R$ 1,2 milhão já haviam sido pagos à empresa com recursos do Fundo Municipal de Saúde (FMS). O contrato foi assinado em 30 de setembro de 2025 e, posteriormente, a Secretaria Municipal de Licitação ainda firmou um aditivo de R$ 329 mil com a mesma empresa para fornecimento de coffee breaks e marmitas, o que aumentou o escopo da contratação.

Agora, o caso segue sob análise dos órgãos de controle, que apuram a regularidade da licitação, a compatibilidade dos preços com o mercado e a efetiva capacidade da empresa de cumprir o contrato. A investigação também busca esclarecer a execução dos serviços e a fiscalização dos pagamentos realizados pela Prefeitura de Ananindeua.

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