Celebrado anualmente em 27 de junho, o Dia Internacional da Pessoa Surdocega busca conscientizar a sociedade sobre a importância da inclusão e da garantia de direitos. A data destaca que a surdocegueira é uma deficiência única, caracterizada pelo comprometimento simultâneo da visão e da audição.

Mais do que promover a reflexão, a data também reforça a necessidade de políticas públicas que garantam autonomia e qualidade de vida às pessoas surdocegas. Um exemplo é a história de Josias Silva. Atividades que parecem simples para muitas pessoas, como solicitar um transporte por aplicativo ou passear em um shopping, podem representar grandes desafios para quem convive com essa condição. Com apoio do Governo do Estado, por meio do atendimento no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), ele conquistou mais autonomia para realizar essas atividades.

Atendido desde 2022 no CIIR, Josias, diagnosticado com a síndrome de Usher, condição genética rara que provoca a perda progressiva da audição e da visão, recebe atendimentos específicos em psicoterapia, educação física, treinamentos de orientação e mobilidade com bengala e aprendizagem de Braille. O objetivo é desenvolver habilidades que permitam maior independência nas atividades do dia a dia e evitar o isolamento social.

“Desde que comecei a perder a visão, eu me isolei e praticamente só vivia em casa, o que me fez enfrentar um processo depressivo muito difícil, porque eu era muito ativo. No CIIR, além de cuidar da ansiedade, aprendi a me adaptar, conquistei mais independência e autonomia. Já consegui realizar atividades que antes pareciam impossíveis, como utilizar transporte por aplicativo, encontrar amigos e frequentar espaços públicos sozinho, assim como aprender Libras Tátil e contar com uma intérprete para me auxiliar”, conta.

O CIIR, em Belém, é referência no atendimento especializado a pessoas surdocegas e suas famílias. Além de garantir recursos técnicos, como a Língua Brasileira de Sinais (Libras) Tátil, sistemas de comunicação alternativa, treinamento de orientação e mobilidade e o estímulo ao uso do Braille e de outras ferramentas que favorecem a independência, a inclusão social e a participação ativa no cotidiano, a instituição também oferece acolhimento e escuta ativa aos usuários e familiares, diferenciais no processo de reabilitação e na promoção da qualidade de vida.

A mãe de Josias, Eliete Silva, celebra a transformação vivida pela família desde o início dos atendimentos do filho. “O nosso acolhimento é completo e ver o desenvolvimento que o meu filho apresenta a cada dia é muito especial. Até a questão da vergonha pela deficiência e da não aceitação foi trabalhada pelos profissionais, o que fez com que ele evoluísse muito. É muito importante o Governo oferecer um espaço com estrutura e qualidade para atender as famílias que precisam e enfrentam essas dificuldades junto com a gente”, diz.

📷 Mãe de Josias, Eliete Silva: "O nosso acolhimento é completo e ver o desenvolvimento do meu filho é muito especial" |(Carlos Tavares/Ag.Pará)

A assistência às pessoas com deficiência visual e surdocegueira é realizada no CIIR por uma equipe multiprofissional composta por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e profissionais de orientação e mobilidade. Atuando de forma integrada e humanizada, esses especialistas desenvolvem estratégias voltadas ao fortalecimento das habilidades sensoriais, motoras, comunicacionais e sociais, respeitando as necessidades e particularidades de cada usuário.

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ESPECIALIZADO – A intérprete de Libras Naiandra Matos, que acompanha Josias, recebeu qualificação viabilizada pelo CIIR em Libras Tátil, modalidade adaptada para pessoas com surdocegueira, aprimorando ainda mais o atendimento. Nessa forma de comunicação, a pessoa surdocega apoia as mãos sobre as mãos do intérprete para perceber os movimentos, formas e expressões, compreendendo a mensagem por meio do tato.

“Fui qualificada com um curso especializado para garantir um atendimento de alta qualidade às pessoas surdocegas, e esse é um dos grandes diferenciais do CIIR: buscar promover diferentes recursos que as pessoas com deficiência precisam para se desenvolver da melhor forma possível”, ressalta.

A supervisora do setor de Arte e Cultura do CIIR, responsável pelas oficinas de Braille, Denise Morais, explica que a iniciativa surgiu para ampliar a inclusão informacional dos usuários. “A pessoa cega ou em processo de perda da visão, ao participar da oficina, vai se adaptando aos recursos para ter acesso às funcionalidades do celular, ao livro impresso, à impressão Tinta-Braille, a informações com fonte ampliada, entre outros recursos. Assim, possibilitamos que tenha acesso a diversas informações de forma mais autônoma”, explica.

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