A federação PSOL/Rede oficializou nesta terça-feira (4), a candidatura de Araceli Lemos ao Governo do Pará durante evento realizado no ginásio da Tuna Luso Brasileira, em Belém. O encontro reuniu lideranças políticas, filiados e movimentos sociais, homologando também candidaturas proporcionais e as diretrizes da campanha. A chapa será composta inteiramente por mulheres, tendo a professora Fátima Santana como candidata a vice-governadora.
Em entrevista coletiva, Araceli Lemos destacou o saneamento básico como uma prioridade central de seu plano de governo. “Uma das nossas propostas iniciais é exatamente rever a privatização dos serviços. Foi danoso, foi criminoso. Não pode continuar privatizando um bem que é nosso, cobrando alto e a água não chega”, afirmou a candidata, falando sobre a possibilidade de reestatização.
Na área da segurança pública, a candidata propôs uma política focada na proteção das mulheres. Araceli falou sobre o combate à violência de gênero. “Hoje, em 144 municípios, só há delegacia da mulher em 22, e apenas cinco funcionam 24 horas. Nós queremos que as mulheres não morram”, afirmou Araceli. Ela defendeu que o tema do respeito seja trabalhado desde a infância nas escolas.
Quanto à educação, a candidata prometeu a valorização dos profissionais da área e a realização de novos concursos públicos para combater o trabalho precário. Araceli comentou sobre a situação dos educadores. “Os trabalhadores estão há anos sem reajuste. Vamos conceder aumento que cubra essas perdas e realizar concurso, porque educação não pode funcionar com trabalho precário”, afirmou a candidata. Ela também citou a necessidade de fortalecer o sistema modular de ensino para garantir acesso à educação em áreas distantes dos grandes centros.
A cultura também recebeu destaque nas propostas, com a sugestão de ampliar o investimento estadual para 3% através da revisão de isenções fiscais. Araceli criticou o orçamento atual da pasta. “É vergonhoso investir apenas 0,03% em cultura em um estado tão rico. Vamos ampliar para 3%, com recursos vindos da revisão de isenções fiscais”, afirmou Araceli.
Para o Senado Federal, a federação apresentou dois nomes: Marcelino Conti e Gizelle Freitas. Conti afirmou que pretende focar na representação de populações tradicionais e na regularização fundiária. Marcelino falou sobre suas prioridades. “Nós vamos representar quem nunca foi representado, indígenas, quilombolas, ribeirinhos e o povo da periferia”, afirmou Conti. Já Gizelle Freitas destacou a importância de ampliar a presença feminina na política e defendeu pautas trabalhistas. Gizelle comentou sobre a jornada de trabalho. “É inadmissível trabalhar seis dias e folgar um, enquanto muitas mulheres trabalham sete dias por semana. Essa é uma luta central”, afirmou Gizelle.
Araceli Lemos, de 68 anos, é natural de Inhangapi e professora de história formada pela UFPA. Em sua trajetória política, foi deputada estadual por dois mandatos e secretária Municipal de Educação de Belém.
