A família de Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, pede justiça e uma investigação rigorosa sobre a morte da empresária, ocorrida um dia após ela ser submetida a uma série de procedimentos estéticos. O pai, Roberto Gomes, afirma que a filha passou mal durante o pós-operatório, sentiu fortes dores e teria pedido socorro sem receber, segundo ele, a assistência que precisava.
O caso já é alvo de procedimento apuratório anunciado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA). Além disso, a Polícia Civil do Pará informou que a morte de Giovanna está sendo apurada pela Seccional do Comércio, responsável por conduzir as investigações e esclarecer as circunstâncias do ocorrido.
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"EU PERDI A MINHA FILHA", DIZ O PAI
Em um desabafo emocionado, Roberto Gomes afirmou que a filha procurou atendimento para realizar uma cirurgia estética na sexta-feira (07/08), mas não voltou para casa. "Minha filha foi fazer um procedimento estético, cirúrgico estético, na sexta-feira. Infelizmente, minha filha não voltou", declarou Roberto.
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Segundo o pai, Giovanna teria apresentado complicações logo depois do procedimento e passado a noite sentindo dores e passando mal. Ele acusa o médico responsável de não ter dado a atenção necessária à filha e afirma que não houve assistência adequada durante o período em que ela apresentou os primeiros sinais de agravamento.
O pai também afirmou que pretende buscar a responsabilização dos envolvidos e pediu a atuação das autoridades para esclarecer o que aconteceu. Roberto também afirmou esperar que, caso sejam constatadas irregularidades, sejam adotadas as medidas cabíveis contra o profissional. "Eu quero justiça, eu quero que a justiça seja feita. Os órgãos competentes entrem em cima desse médico e procurem todos os direitos, e até cassem a licença desse cara, o CRM desse cara", disse.
IRMÃ RELATA PEDIDOS DE SOCORRO
A irmã de Giovanna, Caroline Coelho Gomes, apresentou outros detalhes sobre as horas que antecederam a morte da empresária. Segundo ela, não havia nenhuma doença identificada no período pré-operatório e os familiares acompanharam Giovanna durante todo o processo.
De acordo com Caroline, Giovanna realizou quatro procedimentos: colocação de prótese e mastopexia, abdominoplastia, lipoescultura e enxerto de gordura nos glúteos. A familiar afirma que a cirurgia estava prevista para durar, em média, dez horas, mas teria sido concluída em aproximadamente quatro horas e meia.
Caroline também acusa o médico responsável de não ter retornado ao quarto após a cirurgia. Segundo o relato, na manhã seguinte, quando Giovanna já apresentava mal-estar, ela teria tentado entrar em contato com o médico por telefone e mensagens para pedir ajuda. Ainda de acordo com a irmã, o profissional teria informado que só iria ao local mais tarde.
MÉDICO TERIA CHEGADO DURANTE PRIMEIRA PARADA CARDÍACA
O relato da irmã afirma que o médico só teria chegado quando Giovanna já estava na sala vermelha, durante a primeira parada cardíaca. Caroline afirma ainda que, depois dessa primeira parada, o médico e o anestesista teriam deixado o local, enquanto Giovanna permaneceu recebendo assistência da equipe da sala vermelha.
Diante do agravamento do quadro, a família afirma ter mobilizado uma equipe particular e providenciado exames particulares para tentar ampliar a assistência à empresária. A irmã também relata que o médico não teria procurado a família para explicar o que havia acontecido.
Segundo Caroline, ele não teria conversado com os familiares nem mesmo no momento da confirmação da morte. "Ele nunca veio falar conosco, família. Nem para declarar óbito. Sumiu desde o momento que realizou a cirurgia. Nunca esclareceu nada", afirmou.
"ELA AMAVA VIVER", DIZ IRMÃ
Além das acusações e dos pedidos por investigação, Caroline também falou sobre quem era Giovanna para a família. A irmã descreveu a empresária como uma mulher bonita, inteligente, carismática, amorosa e muito ligada aos familiares.
Segundo Caroline, Giovanna tinha muitos sonhos e gostava de viver. A morte, afirma, deixou a família devastada. "Ela era uma menina linda, inteligente, carismática, amorosa e família. Amava viver e estava cercada de sonhos", relatou.
Caroline contou ainda que a mãe de Giovanna está profundamente abalada e recebe acompanhamento psiquiátrico e psicológico após a perda. "Ela fará uma falta enorme e ainda não conseguimos imaginar nossa vida sem ela. Ela estará sempre em nossos corações. A única coisa que peço são orações", ressaltou.
FAMÍLIA QUER ESCLARECIMENTOS
Para o pai de Giovanna, o objetivo da família não é apenas responsabilizar eventuais envolvidos, mas impedir que uma situação semelhante aconteça com outras pessoas.
Roberto pediu que as autoridades competentes acompanhem a investigação e afirmou que espera uma conclusão sobre as circunstâncias que levaram à morte da filha. "Eu exijo justiça, eu, como pai da Giovanna, eu exijo justiça. Eu peço o apoio de todas as autoridades para que esse caso seja elucidado e seja, sim, completamente resolvido, para que outras pessoas não passem por isso."
Em outro trecho do depoimento, ele questionou como uma pessoa pode morrer após um procedimento médico em uma época em que, segundo ele, a medicina dispõe de recursos avançados para lidar com complicações. O pai encerrou o apelo pedindo apoio e atenção das autoridades para o caso.
CRM-PA INVESTIGA AS CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará informou que tomou conhecimento da morte de Giovanna e da denúncia relacionada ao caso na última segunda-feira (10/08), por meio das redes sociais.
O CRM-PA anunciou a abertura de um procedimento apuratório para verificar as circunstâncias do caso. O órgão, porém, não divulgou detalhes sobre a investigação. Segundo o Conselho, sindicâncias e Processos Ético-Profissionais tramitam sob sigilo, conforme determina o artigo 1º do Código de Processo Ético-Profissional.
A família também aguarda o resultado do exame de necropsia solicitado ao Instituto Médico Legal (IML). O laudo poderá contribuir para esclarecer a causa da morte e verificar eventuais relações entre o óbito e as circunstâncias do atendimento.
MÉDICO AFIRMA QUE CASO DEPENDE DE ANÁLISE TÉCNICA
Procurada pelo DOL, a equipe jurídica do médico responsável pelos procedimentos lamentou a morte de Giovanna e manifestou solidariedade aos familiares e amigos.
Em nota, a defesa afirmou que as circunstâncias do óbito ainda dependem de análise técnica e que, neste momento, não existem elementos conclusivos que permitam antecipar as causas da morte ou atribuir responsabilidades.
O médico também informou que prestará os esclarecimentos necessários às autoridades e aos órgãos competentes e apresentará documentos e informações pertinentes à investigação.
Por respeito à paciente, à família e ao sigilo médico, a defesa afirmou que não divulgará informações clínicas ou detalhes do atendimento.
