Aproximadamente 7 mil bancários e bancárias do Pará iniciam nesta sexta-feira (04/09) uma greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada pela categoria durante Assembleia Geral Extraordinária realizada no dia 31 de agosto e pode atingir agências de bancos públicos e privados em diferentes municípios do Estado.
Entre as instituições que podem ter o atendimento presencial afetado estão Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia, Bradesco, Itaú e Santander. O Banpará não participa do movimento, porque os trabalhadores do banco aprovaram uma proposta de Acordo Coletivo de Trabalho.
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A decisão pela greve recebeu 91,6% dos votos dos participantes da assembleia. Outros 6,82% foram contrários à paralisação e 1,51% optaram pela abstenção.
Por que os bancários entraram em greve?
A categoria decidiu cruzar os braços após rejeitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) durante as negociações salariais.
A oferta previa a reposição da inflação medida pelo INPC, acrescida de um aumento real de 0,6% para 2026 e 2027. O mesmo índice seria aplicado a benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
O índice oficial do INPC referente à data-base dos bancários, em 1º de setembro, ainda será divulgado. A previsão é de que a inflação acumulada fique próxima de 4%.
Além da questão salarial, o sindicato aponta mudanças estruturais no setor como um dos motivos para a mobilização. Segundo os dados apresentados pela entidade, mais de 83,5 mil postos de trabalho foram eliminados nos bancos desde 2016, enquanto mais de 8,5 mil agências deixaram de funcionar desde 2015.
Atendimento pode ser afetado
Para os clientes, o principal reflexo da greve deve ocorrer no atendimento presencial das agências. A paralisação, porém, não significa que todo o sistema bancário ficará indisponível.
Aplicativos, internet banking, Pix, caixas eletrônicos e centrais telefônicas podem continuar funcionando normalmente, dependendo de cada instituição.
A Febraban informa que grande parte das operações bancárias já pode ser realizada pelos canais digitais. Dados divulgados pela entidade em junho apontam que 83% das transações bancárias no país são feitas por meios digitais, sendo 78% delas realizadas pelo celular.
Por isso, antes de sair de casa, o cliente deve consultar os canais oficiais do banco para verificar se a agência que pretende utilizar estará funcionando.
Pix e aplicativos continuam como alternativas
Durante a paralisação, serviços como consulta de saldo e extrato, transferências e pagamentos podem ser realizados pelos aplicativos e plataformas de internet banking.
O Pix permanece disponível 24 horas por dia, enquanto caixas eletrônicos e correspondentes bancários também podem oferecer alternativas para determinadas operações.
Estabelecimentos credenciados, lotéricas e outros correspondentes podem realizar alguns serviços bancários, mas a disponibilidade varia de acordo com a instituição e com o tipo de operação.
Boletos não devem ser deixados para depois
Um ponto importante para quem possui contas com vencimento durante a greve é que a paralisação não transforma automaticamente os prazos de pagamento.
Até o momento, não há uma regra geral determinando que todos os boletos vencidos durante o período de greve serão automaticamente prorrogados sem cobrança de juros ou multas.
A recomendação é utilizar os canais digitais para quitar as contas dentro do prazo. Em situações que envolvam impostos, tributos ou pagamentos que dependam de compensação bancária, o ideal é se antecipar ou programar a operação quando houver essa possibilidade.
Clientes devem ficar atentos a golpes
A dificuldade de acesso às agências também pode ser utilizada por criminosos para aplicar golpes. Por isso, clientes devem utilizar somente aplicativos, sites, telefones e demais canais oficiais das instituições financeiras. Senhas, tokens, códigos de segurança e outras informações bancárias não devem ser compartilhados por mensagens, redes sociais ou ligações suspeitas.
Também é importante desconfiar de pessoas que ofereçam supostos canais alternativos para resolver problemas relacionados à greve e evitar a instalação de aplicativos enviados por desconhecidos.
Greve não tem prazo para acabar
A paralisação começa oficialmente nesta sexta-feira (04/09) e não possui data prevista para terminar. O fim do movimento dependerá do andamento das negociações entre representantes dos trabalhadores e dos bancos.
Caso uma nova proposta seja apresentada pela Fenaban, os bancários poderão ser novamente convocados para uma assembleia para decidir se aceitam as condições e encerram a greve.
Enquanto isso, a orientação para os clientes é antecipar atendimentos presenciais, acompanhar os comunicados dos bancos e priorizar os canais digitais sempre que possível.
