Hidrelétrica em Belo Monte, no Rio Xingu, no estado do Pará

Empreendimentos de energia e infraestrutura no Norte podem passar a considerar com mais atenção os efeitos do El Niño antes mesmo de sair do papel. O Ibama prepara três guias para orientar análises climáticas em hidrelétricas, portos e linhas de transmissão.

A mudança acompanha a preocupação com eventos extremos que podem afetar estruturas e operações. Entre os cenários que devem entrar na avaliação estão secas, chuvas intensas, queimadas, ondas de calor, vendavais e deslizamentos.

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Uma das principais recomendações é que os projetos não sejam analisados apenas com base no clima registrado no passado. As orientações propõem considerar projeções para 10, 30 e 50 anos, levando em conta cenários produzidos pelo painel científico das Nações Unidas.

No caso das hidrelétricas, períodos de menor disponibilidade de água podem comprometer a geração de energia. Linhas de transmissão também podem sofrer danos durante eventos extremos, enquanto alterações climáticas podem provocar problemas no transporte de cargas realizado pelos portos.

Os três guias ainda terão caráter de recomendação, sem obrigar os empreendedores a adotar todas as medidas indicadas. A expectativa do Ibama, porém, é ampliar a influência dessas diretrizes nos processos conduzidos também por estados e municípios.

A discussão deve avançar nos próximos meses. O órgão prepara uma norma que poderá tornar obrigatórias medidas para reduzir riscos climáticos durante o licenciamento, enquanto cerca de 15 empreendimentos já participam de um projeto-piloto com as novas regras.

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